Londrina - O projeto de duplicação do trecho urbano da Rodovia PR-445 não vai atender as necessidades de Londrina a médio prazo. Esta é a opinião de alguns especialistas em planejamento urbano ouvidos pela FOLHA.
A obra prevê a duplicação de 16,9 quilômetros, desde o viaduto do Conjunto Jamile Dequech, na zona sul, até a BR-369, em Cambé, e a construção de 13 interseções em desnível e de cinco passarelas para pedestres.
''O projeto foi concebido levando em conta apenas o tráfego da rodovia e não os outros participantes do sistema como pedestres, ciclistas e moradores da região'', afirma o professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e especialista em planejamento urbano, Gilson Bergoc. ''A obra não prevê o crescimento da cidade e por isso os problemas existentes hoje vão piorar.''
Um dos pontos mais criticados é a construção de trincheiras em vez de viadutos. ''O ideal é que tivéssemos viadutos com alças completas para agilizar o trânsito. Neste caso, as trincheiras terão semáforos para controlar os cruzamentos'', frisa Bergoc. ''Em alguns pontos, as avenidas que vão passar por baixo não terão acesso as trincheiras'', acrescenta o presidente do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal), Nilton Capucho.
Em pelo menos dois cruzamentos a construção de viadutos é vista como essencial em virtude do tráfego intenso e da proximidade com bairros populosos: Avenida Dez de Dezembro e Arthur Thomas. ''Nestes trechos o trânsito já é crítico e as trincheiras não vão dar conta de atender pedestres, ciclistas, ônibus e os veículos que saem dos bairros'', ressalta Gilson Bergoc.
Além das intersecções que serão construídas, o Ceal sugeriu também um viaduto no cruzamento com a Rua Ademar de Barros. ''Esta passagem seria uma outra opção para chegar à UEL e aos condomínios da zona sul. É uma região que vai crescer muito e precisa desta obra'', explica Capucho. A sugestão não foi incluída no projeto.
Para Bergoc, com mais R$ 30 milhões de investimento seria possível conceber um projeto mais completo e triplicar a ''vida útil'' da obra. ''Este projeto que vai ser executado foi feito em 2006 e com prazo de vida útil de 15 anos. Com um pouco mais de dinheiro esta duplicação iria atender a demanda da cidade por até 50 anos'', ressalta Bergoc. ''Estamos perdendo a chance de fazer uma obra completa.'' O investimento do governo estadual na duplicação será de cerca de R$ 100 milhões.
''O projeto poderia ser melhor já que a cidade é muito dinâmica. Esta obra já deveria ter sido feito há anos. Então a adequação que for feita vai ser melhor do que a realidade atual'', coloca Nilton Capucho.
Para o professor do Departamento de Engenharia Civil da UEL, Mário Stamm Júnior, é preciso ficar atento às alterações que deverão ser feitas no projeto para melhorar o fluxo e a segurança de quem utiliza a rodovia. ''As condições de tráfego mudam, o fluxo de veículos, o meio ambiente do entorno também. Por isso modificações podem acontecer e se for possível realizá-las antes da obra concluída, melhor'', explica Stamm.
Procurada durante toda a tarde de ontem, a Secretaria de Estado da Infraestrutura e Logística não respondeu aos questionamentos a respeito do projeto de duplicação da rodovia.

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