Roma, 23 (AE-ANSA) - Giulio Andreotti, ex-primeiro-ministro da Itália e senador vitalício, acusado em dois processos distintos, encerrou em 29 dias suas contas com a justiça.
Em menos de um mês, de Perusa a Palermo, foi escrito o epílogo de seis anos e meio de investigações, polêmicas, esperas e árduas batalhas entre a acusação e a defesa.
Para o senado vitalício, de 80 anos, tudo começou em 27 de março de 1993, quando recebeu um telefonema de Giovanni Spadolini.O então presidente do Senado o chamava para informar-lhe que a procuradoria de Palermo havia pedido autorização para processá-lo por "envolvimento em associação mafiosa".
Andreotti foi quem comunicou ao mundo a notícia com uma declaração de 12 linhas: "Acusar-me de mafioso é paradoxal", disse então. "Como governo, e também em primeira pessoa, adotei contra os mafiosos duras medidas e propus leis seríssimas e eficazes. Devia esperar pela vingança dos mafiosos e, em certo sentido, é melhor assim do que com o fuzil", concluiu.
Dias depois, começou o outro caso judicial que acusava Andreotti de envolvimento no assassinato do jornalista Mino Pecorelli, diretor do semanário Observador Político, ocorrido em Roma no dia 20 de março de 1979, com quatro tiros de pistola.
Em 6 de abril de 1993, o mafioso arrependido Tommaso Buscetta, interrogado pelos magistrados de Palermo, acusou Andreotti de ter ordenado o crime.
Em 14 de abril de 1993, a declaração do arrependido foi enviada pelos promotores sicilianos aos de Roma, que quiseram abrir um processo contra ele. No mesmo dia Andreotti falou diante da Junta para a imunidade do Senado, solicitando a autorização. Em 30 de junho de 1993, a autorização para a investigação sobre o envolvimento com a Máfia é concedida. Em 29 de junho de 1993, o Senado concedeu autorização para o prosseguimento da investigação sobre o homicídio de Pecorelli.
Em 17 de dezembro de 1993, a investigação sobre o assassinato do jornalista passou para a procuradoria de Perusa, que havia entrado nas investigações de Claudio Vitalone.
En 2 de março de 1995, a fase preliminar da investigação de Palermo determinou o que Andreotti fosse julgado. Entretanto, a imputação originária de envolvimento foi modificada para associação mafiosa.
Em 20 de julho de 1995, em Perusa foi entregue um pedido de julgamento, com acusação de homicídio contra Andreotti, Vitalone e outros quatro envolvidos.
Em 26 de setembro de 1995, o "processo do século" foi aberto em Palermo. Em 11 de abril de 1996, começou o processo de Perusa. No dia 8 de abril de 1999, a procuradoria de Palermo pediu a condenação a 15 anos de prisão e a proibição perpétua de atividade política para Andreotti que, em um "sombrio delírio do poder" havia feito um "pacto" com a Máfia.
Em 30 de abril de 1999, a procuradoria de Perusa pediu a prisão perpétua para Andreotti e os demais acusados no processo pelo assassinato de Pecorelli.
Em 24 de setembro de 1999, o tribunal de Perusa pronunciou a sentença: Andreotti e os demais acusados estão absolvidos.
Em 23 de outubro de 1999, o presidente do tribunal de Palermo, Francesco Ingargiola, leu a sentença: Andreotti está livre.

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