Paris, 23 (AE) - O quarto homem do Estado francês, Roland Dumas, "solicita afastamento" de suas funções por estar sendo apontado como suspeito de "cumplicidade e de ter ocultado o abuso de bens sociais".
Há meses, Dumas está sendo alvo de tais suspeitas, mas como é o presidente do Conselho Constitucional (a mais alta autoridade jurídica do país), convenhamos que seria muito delicado obrigá-lo a afastar-se do cargo. Ele deveria tomar esta decisão por sua própria iniciativa (mas recebeu uma ajuda para isso...) Seu pecado? Sua amante teria recebido dezenas e mais dezenas de milhões de francos por ter favorecido, ao lado de seu amante Dumas, então ministro das Relações Exteriores, certas operações da empresa petrolífera Elf.
Não enveredemos por estes sombrios e nauseabundos corredores.
Seja-nos lícito apenas manifestar nosso espanto: a empresa Elf estava acostumada a estes métodos. A Elf despejava rios de dinheiro para "regar" um montão de pessoas que poderiam facilitar um contrato, estabelecer contatos e relações, abafar uma sujeira. etc.
E, então, quem está sendo perseguido pelos tribunais? As pessoas que receberam os milhões da Elf (Dumas talvez, sua amante com certeza, e muitos outros...) Em contrapartida, nem mesmo se coloca em questão o caso da empresa Elf. Estranha justiça e curiosa moral! O corrompido (Dumas ou sua amante) são justamente perseguidos. Mas o corruptor (Elf) dorme tranquilamente. É limpo e branco como a neve.
Ou melhor, "era branco" até agora, pois, com um ou dois anos de atraso, os juizes decidiram finalmente ocupar-se também do corruptor.
As duas juizas que se lançaram contra Dumas e sua amiga, despertam de repente e procuram o homem que distribuia estes "tesouros" a torto e direito. Estas duas mulheres chegaram à áfrica do Sul, onde se refugiou o funcionário da Elf encarregado de "corromper", um tal Sirven, que distribuia ouro por todos os lados.
Mas esse tal Sirven não era senão um testa de ferro. Era preciso que esses milhões e milhões que saiam caixas da Elf fossem retirados dos cofres da empresa. Portanto, a Elf consagrava estes "superbenefícios" não à produção, mas à perversão, para apodrecer, para contaminar - e isso com o dinheiro dos compradores de petróleo ou dos contribuintes.
Dumas não está sozinho e a Elf não é a única corruptora; poderíamos citar muitos homens, alguns deles colocados em postos muitos altos, que estão agora em situação delicada perante a moral pública.
A safra é tão grande que os bispos franceses, tão cautelosos, tão astutos, tão pouco familiarizados com a coragem,acabam de publicar um documento muito duro sobre "os negócios públicos".
Os bispos estão indignados com a degradação moral do setor político.
Eles se declaram dispostos a empreender uma ação para "reabilitar o setor político". Sem dúvida, eles não citam nenhum caso, nenhum nome, mas nestas semanas em que um cheiro pestilencial paira sobre os Palácios Nacionais, o gesto realizado pelo espiscopado é excepcional e extremamente terrível.
Os bispos evocam também a União Européia, que eles aprovam.
Na questão da "globalização", ao contrário, e seguindo à risca a linha de João Paulo II, eles advertem contra uma "economia mundial que seria regida apenas pelas leis do mercado". Aos olhos do episcopado, o desafio para o futuro será o de "subordinar o econômico ao político", ao contrário do que hoje acontece.

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