Paris, 01 (AE-AP) - Envolvido no rumoroso escândalo de corrupção da Elf (maior empresa petrolífera francesa), o socialista Roland Dumas renunciou hoje (01) à presidência do poderoso Conselho Constitucional - quinto cargo mais importante da França.
Ele atendeu a um pedido dos oito juízes membros da instituição, depois de protestar inocência durante vários meses.
Homem de confiança do ex-presidente François Mitterrand (já falecido), Dumas, de 77 anos, foi arrolado em processo como suspeito de "cumplicidade e acobertamento de abusos de bens sociais, em 1989," pelos juízes anticorrupção Laurence Vichmievsky e Eva Joly.
Investigadores da Promotoria de Paris acham que ele teria influído na decisão da Elf - envolvida em vários casos de comissões ilegais - de dar um emprego a Christine Deviers-Joncour, sua ex-amante. A empresa teria pago a ela cerca de US$ 10 milhões em comissões por obter facilidades junto ao governo - do qual Dumas era chanceler - na contratação de negócios no exterior. O ex-chanceler teria se beneficiado de parte daquela soma.
O escândalo agravou-se em 1998, quando Christine publicou vários livros incriminando o ex-amante, incluindo um intitulado A Prostituta da República. Ele deverá sentar-se no banco dos réus ao lado dela e de vários ex-diretores da Elf, provavelmente em setembro quando o Tribunal Correcional de Paris deve iniciar o julgamento do caso.
Dumas foi levado ao Conselho Constitucional por Mitterrand em retribuição aos "relevantes serviços prestados por ele durante os dois períodos em que chefiou a diplomacia francesa (l984 a 1986 e 1988 a 1993)". Brilhante advogado (que tinha entre seus clientes Picasso, Chagall e Giacometti), Dumas saiu-se bem em todas as "missões delicadas" que Mitterrand lhe conferiu.
Hoje, ele entregou a carta de demissão ao presidente Jacques Chirac, que deve designar para o cargo o juiz Yves Guena.