Duma debaterá Start-2 pela primeira vez
Moscou, 11 (AE-AP) - Depois de sete anos de protelações, a Câmara Baixa do Parlamento russo (Duma) anunciou hoje (11) que o Tratado de Redução de Armas Nucleares (Start-2) será debatido pela primeira vez na sexta-feira pelos parlamentares e, provavelmente, encaminhado para votação nesse mesmo dia.
O Start-2 foi firmado pela Rússia e Estados Unidos em 1993, na gestão dos presidentes Boris Yeltsin e Bill Clinton, respectivamente, e ratificado pelo Senado americano três anos depois. O objetivo desse acordo é reduzir o número de ogivas nucleares de 6 mil em cada país para não mais do que 3.500 até 2007. O tratado dá continuidade ao Start-1, firmado em 1991 para limitar em 6 mil o número de ogivas. Há agora a possibilidade de que seja aprovado porque, nas eleições parlamentares de dezembro
os comunistas e nacionalistas perderam a maioria na Duma para os grupos que apóiam o presidente Vladimir Putin e estão mais propensos a uma aproximação com o Ocidente. O projeto tem de ser endossado por maioria simples na Duma e, depois, no Conselho da Federação (Senado).
A inclusão do Start-2 na ordem do dia para debate e votação na Duma foi bloqueada por várias vezes pelos comunistas e nacionalistas supostamente em protesto contra a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em direção ao Leste Europeu, com a inclusão de ex-satélites soviéticos. A pressão dos meios militares, que temem a perda do poderio defensivo do país, e os ataques da aliança atlântica contra a Iugoslávia, tradicional aliado russo, reforçaram a oposição ao projeto. Nos últimos meses, surgiu um novo complicador para a aprovação: Os EUA pretendem modificar o tratado de defesa Antimísseis (ABM), assinado por ambos os países em 1971, para construir um escudo espacial com o objetivo de proteger-se de eventuais ataques de países inimigos, como Irã, Coréia do Norte e Iraque. O ABM estabelece um limite para a defesa antiaérea, de modo a impedir que qualquer uma das superpotências se torne invencível.
Hoje, o presidente da Comissão de Assuntos Internacionais da Duma, Dmitri Rogozin, disse que na ratificação a Duma iria provavelmente emitir uma declaração exortando os EUA a não violar o ABM. A comissão recomendou ao plenário que aprove o tratado. Apesar de Rogozin ter insistido na imutabilidade do ABM
o Kremlin já deixou claro que não está mais tão intransigente assim na questão. O secretário do Conselho de Segurança, Serguei Ivanov, declarou esta semana que uma "leve modificação" como a que Washington vem propondo poderia ser vantajosa para o país. A ratificação do Start-2 abriria caminho, portanto, para a reavaliação do ABM e as conversações sobre o Start-3, o qual reduziria o arsenal de ogivas para algo entre 1.500 e 2.500.





