São Paulo, 28 (AE) - A empresa Duke Energy, uma das maiores distribuidoras de energia elétrica dos Estados Unidos e com negócios em várias partes do mundo, fez hoje sua estréia no Brasil ao arrematar a Companhia de Energia Elétrica Paranapanema por R$ 1,239 bilhão, valor que representa um ágio de 90,21% sobre o preço mínimo.
Com ativos de US$ 26 bilhões e faturamento anual de US$ 17 bilhões, a Duke Energy está de olho no negócio de energia integrada na região do Cone Sul. "A aquisição da Paranapanema vai ter um papel fundamental no desenvolvimento dessa estratégia
cuja meta é tornar a companhia líder na América Latina, um dos mais dinâmicos mercados de energia do mundo", afirmou Peter Wilt, vice-presidente da Duke Energy Internacional (DEI), subsidiária da Duke Energy.
A vitória da Duke na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) não surpreendeu, mas o tamanho do ágio, sim, fato bastante comemorado pelo mercado financeiro. Afinal, a Duke vai pagar a compra com recursos próprios, que devem entrar no Brasil até dia 4. Trata-se de um volume significativo de investimento direto no País.
Criada há 95 anos, com sede na cidade de Chartlotte, no Estado da Carolina do Norte, a Duke recentemente tentou comprar a Endesa do Chile para entrar na América Latina, mas perdeu o negócio para a Endesa da Espanha. "Nós iríamos participar no leilão de hoje mesmo se tivéssemos adquirido a empresa chilena"
disse Michael Dulaney, diretor para a América Latina da DEI. "E com a mesma disposição", assegurou, referindo-se ao expressivo ágio pago.
Não é o que dizem os especialistas. Os maiores ágios sempre foram pagos pelos grupos que ainda não estavam presentes no mercado brasileiro. Os grupos com participação em empresas já privatizadas, como estão endividados, tendem a ser mais econômicos. Assim, a Duke desbancou hoje a Centrais Geradoras do Sul, controlada pela belga Tractebel, que apresentou lance de R$ 663,4 milhões, preço que corresponde a um ágio de 1,8% sobre o preço mínimo.
A terceira concorrente, a VBC Energia, holding formada pelos grupos Votorantim, Bradesco e Camargo Corrêa, ameaçou entregar o envelope com a proposta de compra, mas o corretor representante do consórcio desistiu nos últimos segundos, seguindo ordens superiores. A AES, quarta empresa a entregar as garantias necessárias para participar do leilão, nem apareceu no leilão.
O secretário estadual de Energia, Mauro Arce, afirmou que tanto a AES como a VBC Energia desistiram de concorrer porque não obtiveram financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ele garantiu que o governo do Estado não interferiu nas negociações entre as empresas e o banco, que em privatizações passadas contribuiu com parte de seu orçamento para financiar a aquisição de companhias estaduais. A falta de apoio do órgão não escapou dos comentários do governador Mário Covas: "O BNDES está em outro ramo." Satisfeito com o resultado do leilão, o governador disse que "qualquer coisa acima dos R$ 651 milhões seria favorável uma vez que a empresa foi bem avaliada. Covas reafirmou que o dinheiro obtido com a venda será utilizado para pagar dívidas.
A Paranapanema é uma das três empresas criadas a partir da divisão da Companhia Energética de São Paulo (Cesp). O leilão retoma o processo de privatização do setor de energia, parado desde meados do ano passado, quando a Gerasul foi passada para a iniciativa privada. O governador disse que até outubro devem ser vendidas a Cia. de Energia do Tietê e, antes disso, as empresas-espelho da Comgás. A venda da Paraná não tem previsão de ocorrer. O governo paulista pretende privatizá-la com calma, pois trata-se de modelo complexo. Mesmo dividida, a Cesp Paraná vai continuar com participação expressiva no mercado nacional (16%) e dívidas elevadas.
A privatização da Cesp, aliás, foi decidida por causa do pesado endividamento da empresa. Diferentemente da Sabesp, a Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo. Segundo Covas foi possível saneá-la e torná-la uma das cinco maiores do mundo.

mockup