Buenos Aires, 25 (AE) - Desde que lançou-se candidato à presidência da Argentina, o governador Duhalde oscilou nas estratégias entre transformar-se no principal crítico de Menem e até procurar seu apoio.
As desculpas dos assessores do peronista pelo fracasso do experiente político também oscilam: culpam desde uma garoa que afugentou o público em um importante comício no estádio de River Plate até o anúncio da ex-esposa de Menem, Zulema Yoma, que havia feito um aborto, passando pela clássica acusação de que o candidato era "uma vítima da perseguição da imprensa nacional e também da estrangeira", incluindo a brasileira.
Duhalde tentou diferenciar-se de Menem tarde demais: em dez anos de governo, começou a criticá-lo - e levemente - somente nos dois últimos.
Os governadores peronistas, cansados de esperar um acordo com o governador, agiram isoladamente, cada um tentando garantir o poder em suas próprias províncias, em detrimento da candidatura nacional de Duhalde.
"Não sou o pai da derrota. Esse, temos que buscá-lo", disse Duhalde com a cara amarrada referindo-se implicitamente à falta de apoio do presidente Menem, após admitir que a Aliança havia vencido.
"Duhalde é uma importante figura do peronismo", afirmou como pura saída formal o ministro do Interior, Carlos Corach. Duhalde sugeriu que Menem dedique-se a outra atividade. Sobre seu próprio futuro político, Duhalde disse que "darei um tempo para decidir o que farei de minha vida". Recentemente disse que poderia voltar a lecionar.
O peronismo tem dois duros axiomas: um é "não existem dois líderes simultâneos no partido", e o outro é "o partido não gosta de perdedores". Se a tradição imperar, Duhalde será colocado de lado, como foi no passado o derrotado Ítalo Luder, que perdeu em 1983 para Raúl Alfonsín. E desde sua chácara em San Vicente verá como outras lideranças ocuparão seu vácuo contra Menem.
Segundo o analista Rosendo Fraga, "Duhalde fica profundamente enfraquecido, especialmente porque perdeu a eleição presidencial em sua própria província, a de Buenos Aires". Fraga considera que este será o fim da carreira política de Duhalde, mas faz uma advertência: "em política nunca se pode fazer prognósticos categóricos".

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