Buenos Aires, 05 (AE) - O candidato do governo à presidência argentina, Eduardo Duhalde, reuniu-se com representantes do Grupo Brasil, associação que reúne 193 empresas brasileiras na Argentina. Analisando a recente crise comercial entre o Brasil e a Argentina, Duhalde disse que "o processo de integração não pode ser detido", e que "o Mercosul cresceu tão vertiginosamente que não é estranho que surjam alguns problemas".
Segundo ele, "o bloco comercial foi uma grande mudança, e as mudanças geram resistências".
Duhalde criticou a apressada ida do presidente Carlos Menem à Brasília na semana passada, afirmando que "eu teria antes analisado a questão em conjunto com os empresários. Não creio que se resolvam os problemas com impulsos pessoais".
Durante o encontro, o embaixador brasileiro na Argentina, Sebastião do Rego Barros, disse que se surpreende quando ouve que em Buenos Aires sustentam que o Brasil é o problema da Argentina: "o Brasil é a solução para a Argentina", retrucou, e afirmou que o país "é o único sócio comercial que dá superávit à Argentina".
Segundo o embaixador, a compensação à Argentina pela desvalorização do real poderá ser estudada, mas disse que, por enquanto, os argentinos não forneceram "nem dados, nem estatísticas" sobre o hipotético dano causado à indústria local. Rego Barros rebateu as críticas feitas nos últimos dias pelos argentinos afirmando que "o Brasil tem a intenção de levar o Mercosul adiante".
Após o discurso do embaixador, Duhalde tomou uma atitude inédita entre o governo argentino e da maioria dos políticos, afirmando que "a partir da desvalorização do real, começou na Argentina um processo recessivo...Mas não por culpa do Brasil". Segundo o candidato, "ninguém pode colocar a culpa em outro governo porque tenha políticas macroeconômicas determinadas". À pergunta de se o Brasil é a solução para a Argentina, disse que "nossos países devem estar juntos, porque no mundo atual, se estivermos separados, não seremos respeitados".

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