Buenos Aires, 24 (AE) - "Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay" ("eu não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem") costumam dizer com ironia os analistas políticos argentinos quando observam o incompreensível fato de que nenhum governador da província de Buenos Aires haja conseguido chegar a presidente do país no último século e meio. Para aqueles que acreditam no sobrenatural, mais uma vez, foi efetiva a "maldição da província de Buenos Aires".
O último governador da província de Buenos Aires que transformou- se em presidente do país deixou o poder há mais de um século e meio. Foi o ditador Juan Manuel de Rosas, para cuja queda contribuíram na Batalha de Caseros (1852) tropas brasileiras aliadas a Justo José de Urquiza, seu eterno antagonista, que o substituiu no comando do país.
Buenos Aires é a província mais rica e importante da Argentina, com 37% dos eleitores do país. Por causa desse poder, as províncias do interior sempre se opuseram a que alguém que foi governador ocupasse a presidência, já que isso lhe conferiria um imenso poder.
Uma lenda diz que ao redor de 1880, um feiticeiro amaldiçoou o cargo de governador, fazendo que nunca mais pudessem chegar a presidente. De lá para cá, coincidência ou não, nenhum governador conseguiu sair da capital da província, La Plata, para ocupar a Casa Rosada, sede do governo argentino.
Todos que se apresentaram como aspirantes a ocupar o "sillón de Rivadavia", como é conhecida a cadeira presidencial, foram impedidos por golpes militares ou pela morte. Paradoxalmente, Duhalde foi o primeiro governador que conseguiu chegar ao dia da eleição.
Para tentar neutralizar a maldição, um "feiticeiro" militante do peronismo, realizou há dois meses um contra-feitiço. No entanto, mais uma vez a "maldição dos governadores" prevaleceu.

mockup