Duhalde, ainda invicto nas urnas
Buenos Aires, 23 (AE) - Nos últimos meses, Eduardo Duhalde deixou de ser "Tachuela" (Tachinha, referência à baixa estatura e cabeça grande) para tornar-se simplesmente "Cabezón". Nascido em 1941, na cidade de Lomas de Zamora, na Grande Buenos Aires, esse descendente de bascos trabalhava como salva-vidas na piscina de um clube de sindicatos para poder estudar.
Ali, conheceu Hilda, a "Chiche", com quem se casou. Há uma semana, Duhalde admitiu que ela simulou um afogamento para conquistá-lo. Ao contrário de Menem, ele é um pacato pai de família, embora imagem seja perturbada por renovadas suspeitas de que sua assessoria está envolvida com tráfico de drogas.
É depressivo, embora nunca tenha sido derrotado em eleições, partidárias ou públicas. Foi vereador em sua cidade, onde, com o retorno apoteótico do general Juan Domingo Perón à Argentina, elegeu-se prefeito. E passou a controlar o maior município da Grande Buenos Aires. Perdeu o mandato durante a ditadura. Com a queda dos militares, foi reeleito prefeito e, depois, deputado. Em 1989, foi um dos poucos a acreditar nas chances eleitorais de Menem, então um exótico governador de La Rioja. Com ele, chegou a vice-presidente, cargo que ocupou até 1991, quando se elegeu governador da província de Buenos Aires.
Neste cargo, administrou uma polpuda verba de US$ 700 milhões como "fundo de reparação histórica" da Grande Buenos Aires. Imitando Evita, sua mulher, "Chiche", controla outros US$ 250 milhões para a assistência social, mediante uma rede de 25 mil colaboradoras, as "manzaneras".
Duhalde era tido como herdeiro de Menem para a eleição de 1995, quando "El Turco" (como é conhecido o presidente) conseguiu a aprovação da reforma constitucional que garantiria sua reeleição. Duhalde enfureceu-se, mas Menem lhe prometeu, na época, integral apoio nas eleições de 1999. No ano passado, um movimento para permitir uma segunda reeleição de Menem separou os velhos aliados para sempre.
A mãe de Duhalde, fervorosa militante da UCR, nunca votou no peronismo. Mas seu filho peronista nunca se deixou abalar. Sua vontade é a de um Dom Quixote, diz um de seus amigos: "Ele continua lutando, mesmo diante de um inimigo que, já sabe, será vencedor."
Seus cinco filhos (uma delas, freira) não se dedicam à política. E sua mulher deixou claro que uma derrota não será um desastre: "Sair do poder será viver de novo."
Sobre a imensa cabeça, o baixinho Duhalde aprendeu até a fazer piadas: "Não é ela que é grande, é o corpo que é pequeno". (A.P.)





