Curitiba- Mais duas pessoas foram presas no Paraná acusadas de ligação com traficante Juan Carlos Ramirez Abadia. A segunda fase da Operação Farrapos foi em Foz do Iguaçu, com o intuito de desarticular a ramificação da organização especializada em conseguir carimbos de entrada e saída do Brasil nas tarjetas dos passaportes dos integrantes da quadrilha de Abadia. Entre os presos está um oficial da Aeronáutica que estava trabalhando na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O nome dele não foi divulgado porque o caso está em segredo de Justiça.
''Resolvemos pedir segredo de Justiça por causa das pessoas envolvidas. Queremos evitar que o caso seja divulgado amplamente antes que todos sejam devidamente identificados e presos'', contou ontem o delegado Jaber Saad, atualmente chefiando a Polícia Federal (PF) de São Paulo. Ontem, ele passou o cargo oficialmente para o delegado Delci Carlos Teixeira - novo superintendente do Paraná. Abadia foi preso na semana passada, em São Paulo.
Ele mantinha negócios em Curitiba onde possivelmente lavava dinheiro do tráfico de drogas e onde três pessoas foram presas. ''Eu comecei a investigar o caso no Paraná. Estou há dois anos neste caso. De oito meses para cá, estivemos pessoalmente mantendo contato com os policiais para que eles seguissem e vissem todos os negócios que eram praticados por Abadia até que pudéssemos prendê-lo'', confidenciou à Folha.
Saad não quis falar sobre empresários paranaenses denunciados à Folha e que fariam negócios com Abadia no Paraná. ''Eu não confirmo nada. Nem posso. Tudo agora está sob sigilo judicial. O que tenho a dizer é que tem muita gente envolvida. Gente grande. Vamos chegar a todos. Só vou avisar que todos que tinham negócios com ele devem ter agora muito medo, porque não perderemos de prender ninguém'', garantiu. Em Foz, ainda ontem, cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos por policiais paulistas. Abadia responde por mais de 300 assassinatos e por manter o maior cartel de drogas da Colômbia, traficando por vários países.

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