Duas pessoas são feridas em tentativa de ocupação em Panorama
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domingo, 04 de julho de 1999
Por Luiz Carlos Lopes 
Marília, 05 (AE) - Um trabalhador ligado ao Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast) e um policial militar foram feridos no início da noite de sexta-feira, em confronto com seguranças armados, durante tentativa de ocupação da fazenda Bom Retiro, em Panorama, a 690 quilômetros de São Paulo. Hoje pela manhã cerca de 130 pessoas conseguiram invadir a fazenda Bom Retiro e a fazenda Colonial. Não houve resistência, mas o clima é tenso no local.
Depois de instalarem diversos barracos os invasores voltaram para o acampamento em uma estrada municipal na divisa com a propriedade. Uma viatura da PM acompanhou a ação e seus ocupantes não intereferiram apesar das duas fazendas estarem protegidas por interdito proibitório judicial.Hoje o advogado da UDR, Coraldino Vendramini, esteve no Fórum de Panorama onde protocolou pedido de reintegração de posse das propriedades invadidas.
De acordo com o delegado de polícia de Panorama, Darci de Oliveira, três seguranças da fazenda reagiram à tentativa de invasão de sexta-feira, mas ninguém foi preso. Durante o confronto ficou ferido em uma das pernas o sem-terra Lourival da Silva Nazário, de 33 anos. Ele foi medicado no Pronto Socorro Municipal e liberado. A Polícia Militar, que chegou ao local para desarmar os seguranças, também enfrentou resistência e o soldado Aparecido Batista, de 23 anos, foi ferido na coxa direita. Levado para a Santa Casa de Dracena ele foi medicado e liberado.
A Presidente da União Democrática Ruralista (UDR) de Presidente Prudente, Tânia Tenório de Farias, disse que a ação dos sem-terra representa o recrudescimento das ações ofensivas do Mast no oeste paulista, o que, em sua opinião, pode gerar conflitos de graves consequências. Farias afirmou que os fazendeiros têm o direito de defender suas propriedades e lamentou que as duas invasões de hoje tenham ocorrido na presença de policiais militares.
O presidente do Mast, Lino de Macedo, confirmou que os integrantes de seu grupo reivindicam as duas fazendas para assentamento. Segundo ele os trabalhadores pretendem consolidar sua posição instalando os acampamentos dentro das propriedades, o que poderá gerar novos confrontos com os seguranças.


