Duas mil pessoas vão ao enterro de cabo em MG
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de junho de 1997
Agência Folha Belo Horizonte 
Cerca de 2.000 pessoas, na maioria policiais militares, participaram ontem do enterro do cabo Valério dos Santos Oliveira, de 36 anos, morto após ser atingido por um tiro durante uma manifestação de PMs, na terça-feira passada. Oliveira foi enterrado com honras militares, concedidas geralmente aos militares que morrem em serviço, apesar de ele estar de folga no dia e ter participado da manifestação que não tinha sido autorizada pelo comando da Polícia Militar de Minas Gerais.
A família concordou com o toque de silêncio e com a colocação da bandeira nacional no caixão, mas pediu que os tiros de fuzis não fossem disparados. A mulher de Oliveira, Carmem, receberá um aumento na pensão porque a morte do marido foi considerada como tendo ocorrido em serviço. Ele tinha dois filhos, Felipe, de nove anos, e Danilo, de seis. O sepultamento aconteceu no cemitério Parque da Colina, onde também foi realizado o velório, evitando-se que o cortejo fúnebre passasse pelas ruas de Belo Horizonte.
Os líderes dos soldados, cabos, sargentos e subtenentes, que se rebelaram durante quatro dias por melhores salários, decidiram não realizar nenhuma manifestação ontem. O cabo Júlio César Gomes, um dos líderes do movimento e que estava ao lado de Oliveira no momento em que foi atingido, não foi ao enterro. Os soldados do Batalhão de Choque, colegas do militar morto, foram liberados do serviço para ir ao velório. Havia muitos policiais civis e guardas penitenciários, que também participaram do movimento por reajustes.
O governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo (PSDB), foi representado pelo secretário estadual da saúde, José Rafael Guerra. Em nota oficial, o governador pede que os acontecimentos que o vitimaram jamais se repitam em Minas Gerais.


