Madri, 21 (AE-AP) - Dois carros-bomba explodiram nesta sexta-feira (21) em Madri, matando um oficial e marcando a volta do terror do grupo separatista Euskadi ta Askatasuna (ETA, Pátria Basca e Liberdade), que anunciara em 3 de dezembro o fim de uma trégua de 14 meses.
As explosões, ocorridas apenas quatro dias após o primeiro-ministro José María Aznar convocar eleições gerais para 12 de março, sacudiram um bairro residencial no sudoeste da capital, no qual vivem muitos militares, e quase atingiram uma creche.
A primeira bomba foi detonada por controle remoto pouco depois das 8h locais, no momento em que o tenente-coronel do Exército Pedro Antonio Blanco García, de 48 anos, passava ao lado do carro-bomba, na Rua Pizarra. Ele morreu e uma jovem de 14 anos ficou ferida.
A segunda explosão ocorreu minutos depois a dois quarteirões de distância, sem deixar vítimas. A polícia responsabilizou a ETA.
"Como militares, vivemos com medo", desabafou um morador da Pizarra, o general José Colldefors, de 66 anos. O general disse que ele e muitos colegas costumam verificar se não há bombas em seus carros antes de ir trabalhar. "Não há proteção contra isto. Sinto ódio pelos criminosos e fúria pelos políticos que não fazem nada para parar com isso."
O governo descartou a possibilidade de qualquer nova negociação de paz com o ETA e prometeu reprimir a organização basca. "Quando o ETA anunciou que estava encerrando a pausa em sua atividade terrorista, eu disse que ela estava cometendo um erro", afirmou Aznar. "Agora é hora de mostrar a ela as consequências de seu erro", acrescentou, prometendo usar "toda a força da lei" no combate ao terror.
"Esta não é a primeira vez que o ETA tenta testar nossa determinação", disse o primeiro-ministro durante o funeral de Blanco - que deixou mulher e dois filhos. "Caso alguém tenha alguma dúvida, quero esclarecer que o ETA fracassará", garantiu.
"O ataque de hoje e a ameaça permanente que o ETA representa para a nossa sociedade e a liberdade não é um sinal de sua força
mas de sua fraqueza. O governo não vai afastar-se nenhum centímetro do cumprimento de sua tarefa de proteger a liberdade e a segurança de nossos cidadãos."
O presidente nacionalista do País Basco, Juan José Iberretxe, condenou o ataque e conclamou a população basca a marchar pacificamente na noite de hoje pelas cidades da região em protesto contra a violência.
"Infelizmente, o ETA ignorou uma vez mais o chamado da sociedade basca, que já se mostrou esmagadoramente a favor da paz."
Os governos de França, Alemanha e Grã-Bretanha, entre outros, condenaram duramente o atentado. "É um crime hediondo", disse o chanceler alemão, Gerhard Schroeder. Paris frisou que a ação do ETA mostra que a cooperação franco-espanhola contra o terror é "indispensável".
A morte de Blanco é a primeira atribuída ao ETA desde junho de 1998, quando um vereador de uma cidade basca foi morto na explosão de um carro-bomba. A organização extremista não reivindicou imediatamente a autoria do atentado de hoje. Ela costuma fazer isso semanas após seus ataques.
Depois que o ETA anunciou o fim de seu cessar-fogo, a polícia interceptou, pouco antes do Natal, vários supostos membros da organização a caminho de Madri com cerca de duas toneladas de material para fazer bombas. Na ocasião, as autoridades alertaram que era questão de tempo até que os separatistas atacassem novamente.
O ETA luta pela independência da região basca, que abrange o norte da Espanha e o sul da França. O grupo já matou quase 800 pessoas desde 1968.

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