Drones auxiliam no monitoramento de presídios
Agentes penitenciários e policiais rodoviários são capacitados para operar equipamentos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de setembro de 2019
Agentes penitenciários e policiais rodoviários são capacitados para operar equipamentos
Vitor Struck - Grupo Folha 
Cada vez mais comuns nos céus de cidades do mundo inteiro como observadores discretos, os drones vêm sendo amplamente utilizados, também, por forças de segurança no controle de manifestações e até na busca por sobreviventes de desastres naturais, por exemplo. Casos recentes como o ataque a uma refinaria de petróleo da Saudi Aramco, estatal petrolífera da Arábia Saudita, quando drones foram responsáveis pelo lançamento de bombas, reforçam a necessidade de se correr contra o tempo no que pode ser o prelúdio de uma batalha pelo ar dirigida por controles remotos.

Na tarde desta terça-feira (17), em Londrina, oito agentes da Soe (Seção de Operações Especiais), grupo de elite do Depen (Departamento Penitenciário do Paraná), e dois da PRF (Polícia Rodoviária Federal) participaram da primeira etapa de um treinamento, que dura dois dias, para operar os equipamentos com a maestria de um piloto de aeronaves. A capacitação para o uso das R.P.A.S., sigla em inglês para Sistemas de Aeronaves Pilotadas Remotamente, é fruto de uma parceria com a Receita Federal, totalmente gratuita para o Estado do Paraná.
Manobras e técnicas de pouso e decolagem, além do retorno automático ao ponto de partida, entre outras, fazem parte do treinamento ministrado pelo analista tributário da Receita Federal, Bruno de Oliveira.
“Para poder fazer um reconhecimento de perímetro, evitar que alguém se aproxime pra tentar introduzir alguma coisa no presídio, monitorar pessoas que estejam aos arredores também operando outros drones com o objetivo de levar drogas. Ele tem uma utilização muito ampla e efetiva”, avaliou. Dois drones modelo Phantom II já haviam sido doados pela Receita e estavam sendo “pilotados” pelos agentes de forma mais tímida.
Para o instrutor, a utilização de equipamentos cada vez mais modernos e com a capacidade de registrar imagens por mais tempo em alta definição é um “caminho sem volta” entre os órgãos de segurança.
“Além de estar vendo de uma forma diferenciada a movimentação de pessoas, também não oferece riscos a nenhum agente de segurança no deslocamento das equipes ou quando é preciso passar por alguma área perigosa, dominada pela criminalidade, o drone vai ser um segurança que vai observar o perímetro”, explicou.
O agente penitenciário Maurílio Avelar recebeu as orientações. Ele lembra que o objetivo é que todos os agentes da Soe sejam capacitados para pilotar as aeronaves. “Já havíamos feito alguns sobrevoos principalmente sobre a unidade 1 da Penitenciária Estadual de Londrina e hoje com as técnicas trazidas pelo instrutor conseguimos aperfeiçoar e conhecer um pouco mais do aparelho. Com certeza vamos buscar um resultado muito melhor do que já havíamos conseguido”, avaliou.
Atualmente qualquer pessoa pode adquirir um drone no Brasil, país cuja legislação para o uso é uma das mais recentes e “abertas” do mundo. Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo) são alguns dos órgãos responsáveis por emitirem portarias e que são mais flexíveis ao uso por agentes públicos.
“Há discussões a respeito da legislação. A ideia de quem controla a aviação é de que como não é possível segurar, vamos fazer uma legislação para educar no uso. Agora quanto à utilização ilegal, para isso estão sendo desenvolvidas armas para combater, equipamentos para identificar drones intrusos, formas de bloquear o drone e fazer com que ele aterrisse imediatamente”, exemplificou.


