Drogas causam maioria dos acidentes
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terça-feira, 01 de julho de 2003
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Cinquenta e seis por cento dos infratores de trânsito de Curitiba apresentam quadro de dependência química. Outros 24%, considerados ''abusadores'', usam álcool ou outras drogas com regularidade e os 20% restantes são usuários eventuais. Esse é o perfil de aproximadamente 200 indiciados que respondem a processo junto às três varas de Delitos de Trânsito da Capital. O levantamento foi realizado pela Comissão de Trânsito do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-08) num trabalho em parceria com a Justiça.
O projeto, pioneiro no País, quer ajudar a reduzir o número de acidentes envolvendo motoristas alcoolizados ou drogados, encaminhando-os para orientação e tratamento psicológico. Cerca de 90% dos condutores infratores são indiciados por uso de álcool ou outras drogas de efeito análogo crime previsto no artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro. De outubro de 2002 até junho deste ano, cerca de 200 pessoas foram atendidas pelo projeto.
A psicóloga especialista em trânsito e coordenadora do projeto, Márcia Plonka, explica que quando os indiciados por uso de álcool ou drogas chegam nas varas, o juiz indica o atendimento psicológico, que é opcional. O grupo de psicólogos voluntários que atua no projeto não chegou a quantificar o percentual de infratores que aceitam o trabalho, mas, segundo Márcia, a maioria acaba participando por já estar numa situação limítrofe. ''O dependente químico, muitas vezes, só aceita ajuda quando já está no fundo do poço. E quando se envolve num acidente é porque chegou ao fundo do poço e, na maioria dos casos, já se envolveu em outros acidentes'', comentou.
Dos 56% considerados dependentes químicos segundo a avaliação dos psicólogos, muitos têm dependência cruzada de álcool com outras drogas como cocaína, maconha ou medicamentos e a maioria já responde a vários processos.
Na avaliação, os psicólogos detectam a relação do indiciado com o álcool: uso, abuso ou dependência. Os enquadrados como usuários esporádicos são liberados após o treinamento de sensibilização, que trabalha basicamente com a incompatibilidade entre beber e dirigir. Os caracterizados como abuso ou dependência, seguem para a orientação psicológica. Nessa fase, os profissionais identificam se a pessoa tem potencial para tratamento e qual é mais indicado para o caso que pode ser internação, tratamento ambulatorial, psicoterapia ou encaminhamento para grupos de auto-ajuda.
Segundo Márcia, além do suporte psicológico aos próprios indiciados e às vítimas, o projeto trará suporte científico aos profissionais que atuam nas áreas de dependência química e trânsito. A intenção é estender o trabalho para outras cidades do Paraná e incentivar outros estados a adotar o projeto. Nesse projeto piloto realizado em Curitiba, os psicólogos se basearam em um modelo alemão, mas pretendem estabelecer uma metodologia de avaliação própria, adequada à realidade brasileira.


