Droga para leucemia cura leishmaniose
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de outubro de 2004
Agência Estado 
São Paulo Na Bahia, pesquisadores descobriram que um medicamento produzido para tratar leucemia é também capaz de eliminar a leishmaniose cutânea, uma das quatro formas de manifestação da doença. A doença, que atinge 30 mil pessoas todo ano, não tinha até o momento tratamento eficaz para a forma cutânea feridas que não cicatrizam. Na forma visceral, a leishmaniose pode levar à morte
A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Estado onde a doença é endêmica, após quatro anos de pesquisa e testes. Eles utilizaram a molécula GM-CSF, que estimula a produção de glóbulos brancos. O medicamento já está sendo utilizado no Hospital das Clínicas de Salvador, onde trabalham os coordenadores do Instituto de Investigação em Imunologia da Bahia, responsáveis pela descoberta. Hoje não existem casos nos quais o GM-CSF não resolva, afirma Roque Pacheco de Almeida, um dos coordenadores do instituto.
No início, o medicamento era injetado, mas depois os cientistas passaram a aplicá-lo diretamente nas lesões. Segundo Pacheco, o resultado foi o mesmo e o custo ficou dividido por quatro. Hoje para curar um paciente não precisamos de mais do que R$ 60, diz o cientista. Mesmo assim, o preço pode baixar ainda mais, pois a molécula é patenteada por um laboratório americano e atualmente tem de ser comprada na forma do medicamento para leucemia.
Para estudar a doença, que atinge 100 mil brasileiros, os pesquisadores do instituto selecionaram 20 doentes do hospital para testar o GM-CSF. O escolhido tinha de ter entre 15 e 50 anos de idade, não ser diabético e, principalmente, nunca ter tomado qualquer tipo de medicamento contra a leishmaniose. As mulheres também não poderiam estar grávidas.
Os doentes foram divididos em dois grupos. Em apenas um deles a molécula foi aplicada. Nos casos considerados curáveis, o GM-CSF acelerou o processo de cicatrização das lesões na pele. Nos tidos como incuráveis, as feridas sumiram em 50 ou 60 dias. Além da Bahia, a doença também está presente em outras áreas do País. Ela é transmitida ao homem na picada do mosquito popularmente conhecido como birigüi, palha ou corcundinha.


