O governo brasileiro vai protestar contra o relatório anual sobre drogas divulgado ontem no Ministério da Justiça, em Brasília, pelo Programa das Nações Unidas para o Controle Internacional de Drogas, órgão vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU). Baseado nos dados de 1996, o documento lamenta que ‘‘a lavagem de dinheiro ainda não seja considerada crime’’ no Brasil e critica o País por adiar a adoção da medida. O governo protestará apenas contra esse ponto, uma vez que o documento elogia medidas de contenção ao tráfico e comércio de drogas adotadas pelo País.
O relatório faz uma ampla avaliação sobre o uso de drogas no mundo e lamenta a propaganda a favor de drogas nos meios de comunicação. Entre as propostas levantadas pelos técnicos está a sugestão para que os governos contratem atores famosos e celebridades da música popular e dos esportes para participarem de propagandas antidrogas. O objetivo é criar modelos para contrapor aos depoimentos favoráveis a entorpecentes, principalmente maconha, que estão disseminados nos meios de comunicação, segundo o relatório.
Segundo o órgão, campanhas pelo uso comercial da cannabis e, produtos têxteis e alimentos, (como a dirigida no Brasil pelo deputado Fernando Gabeira, do PV-RJ) são uma tentativa de facilitar a legalização da droga. Os especialistas do programa das Nações Unidas comentam que a Internet facilita a divulgação e estímulo ao cultivo e uso de drogas. Mas a rede mundial de computadores também tem um papel positivo ao divulgar os malefícios do abuso de entorpecentes, dizem.
O Congresso Nacional aprovou no ano passado uma legislação sobre lavagem de dinheiro do tráfico drogas. O presidente do Conselho Federal de Entorpecentes (Confen), Luís Mathias Flach, que participou da divulgação do documento, irá comunicar a aprovação do projeto contra lavagem de dinheiro na reunião da Comissão de Entorpecentes da ONU que se realizará entre os dias 11 e 20 de março, em Viena (Áustria). ‘‘Esse erro precisa ser reparado’’, disse Flach.
O presidente do Confen amenizou o alerta do documento sobre o registro de consumo de heroína no País. ‘‘São casos esparsos’’, afirmou.

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