Droga colocada em bebida faz milhares de vítimas
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segunda-feira, 07 de agosto de 2006
Deborah Haynes 
Londres- Sorridente, uma mulher brinda em um bar com um desconhecido que a convida para um drinque. Depois de acordar em uma cama estranha, sentindo-se mal e cheirando a loção masculina, percebe que foi estuprada.
Sara, uma comunicadora de 29 anos, é apenas uma das milhares de mulheres vítimas desta forma de abuso sexual na Grã-Bretanha, que depois de ingerirem drogas colocadas furtivamente em seus copos, não conseguem se lembrar do que aconteceu.
A jovem, que se identifica com um nome falso, lembra vagamente que uma noite, há pouco mais de um ano, quando saiu para tomar uns drinques com amigos, um homem, amigo de seu chefe, a levou para uma área reservada do bar e a estuprou sobre uma mesa. ''Nem mesmo percebi totalmente o que se passava'', disse Sara à AFP. ''Lembro que pensei que ele me levava para me deitar sobre a mesa por um momento. Depois, me senti totalmente incapaz de fazer qualquer coisa''.
A maioria das vítimas nunca registrou o crime porque se culpa de ter bebido demais ou porque acredita que entrar com uma ação legal será difícil e não adiantará muito.
As que vão à polícia frequentemente saem decepcionadas porque na Grã-Bretanha, assim como em muitos países, os casos de estupro poucas vezes terminam com uma sentença.
Outro obstáculo é o estigma que acompanha o estupro, sobretudo quando vinculado ao consumo de álcool. Algumas vítimas disseram à AFP que a polícia e até mesmo alguns médicos insinuam que elas são parcialmente culpadas pelo que ocorreu porque estavam embriagadas.
Segundo especialistas, menos de 20% das 50 mil mulheres que, segundo estimativas, são estupradas anualmente na Grã-Bretanha registram a agressão.


