Dresdner Bank e Deutsche Bank estudam associação
Frankfurt, 23 (AE-AP) - Os alemães Dresdner Bank e Deutsche Bank estão mantendo conversações para uma eventual associação de sua atividade bancária, o que permitiria a ambas as instituições reduzir os custos de pessoal e informatização que impedem a expansão dos lucros. De acordo com relatos publicados pelo norte-americano The Wall Street Journal e reproduzidos na edição de hoje da revista alemã Der Spiegel, os especialistas da área fiscal e de informática do Dresdner já estariam estudando possibilidades concretas de transferir seus clientes privados para o sistema Deutsche Bank 24, que iniciará operações no dia 1º de setembro.
Os rumores que começaram na semana passada foram confirmados hoje por fontes do Deutsche, que há menos de um ano comprou o norte-americano Bankers Trust. A hipótese de uma fusão completa, porém, está praticamente descartada, segundo fontes do mercado e de ambas as instituições.
De acordo com os relatos, a associação das duas instituições permitirá ao Dresdner transferir ao Deutsche a totalidade de suas atividades de "private banking", que conta com 6 milhões de clientes. Esse serviço seria assumido por uma só empresa com ações próprias, em uma parceria completa nesse segmento.
Os demais serviços das duas instituições poderiam até ficar inalterados, por nem unidos os dois bancos alemães conseguiriam ficar com mais de 10% do mercado de clientes pessoais na Alemanha, um dos mais pulverizados do mundo. Além disso, observam os analistas do setor, ambas as instituições dominam o segmento de serviços bancários para grandes empresas e têm fortes investimentos no exterior.
O Deutsche, por exemplo, é dono do banco de investimento e das operações de administração de ativos do Morgan Grenfell em Londres, enquanto o Dresdner é acionista majoritário do concorrente Kleinwort Benson. O Dresdner também tem vínculos estreitos com diversos bancos regionais da Alemanha e estaria, ainda de acordo com os rumores, interessado em expandir suas operações no segmento de bancos de varejo.
Os resultados financeiros das duas instituições também não ajudam muito a esclarecer qual será o resultado final das conversações em curso. Uma comparação indica que dos quatro maiores bancos alemães, apenas o Deutsche, o maior em termos mundiais, e o Commerzebank, que ocupa o quinto lugar no ranking do país, conseguiram obter no primeiro semestre do ano um lucro similar ao registrado no mesmo período do ano passado. O HypoVereinsbank, segundo maior, e o Dresdner, o terceiro, simplesmente tiveram seus lucros cortados à metade em relação a 1998, porque só usaram métodos internacionais de contabilidade na preparação do balanço do ano passado, não no demonstrativo do primeiro semestre.
A notícia da associação fez com que as ações dos bancos subissem. Só este ano, as ações do Deutsche avançaram 36%, sendo 4,8% hoje. Os papéis do Dresdner tiveram alta de 5,1%, um ganho acumulado de 27% desde janeiro.





