Drama dos mutuários da Encol continua
A construtora Encol deu um golpe de milhões de reais em 42 mil famílias em todo o Brasil, deixando inúmeros prédios inacabados e edifícios pagos antecipadamente sem nunca terem saído do papel. O dono da Encol, Pedro Paulo de Souza, acusado de ter um caixa dois, para onde teriam sido desviados, em apenas quatro anos, R$ 1,5 bilhão, foi preso em maio do ano passado, mas já está em liberdade condicional.
Com o valor desviado, conforme estimativas de empresários do setor, daria para construir 30 mil apartamentos de 100 metros quadrados. O proprietário da Encol também é acusado de evasão de divisas e de apropriação indébita, por não pagar INSS e nem recolher o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) dos 11 mil funcionários.
De acordo com levantamentos feitos por empresários da construção civil, as 42 mil famílias que foram lesadas pela Encol podem levar até 20 anos para recuperar na Justiça o dinheiro que investiram.
Em Londrina, a advogada Paula Cristina Dias representa cerca de 320 mutuários, de nove edifícios da construtora. Um dos edifícios, assumido pelos condôminos, já está pronto. Entre os oito que estão inacabados, somente o Ibiza, da Rua Amador Bueno, ainda faz parte da massa falida da Encol. Os moradores, cada um com seu problema particular, ainda não conseguiram retomar o controle do prédio, informou Paula Dias.
O problema do edifício Palm Springs, da Rua Paranaguá, é o grande número de unidades que não foram vendidas pela construtora. Segundo a advogada, os donos dos apartamentos têm dificuldade para ratear entre entre eles as dívidas que a construtora deixou. Além das dívidas, a Encol deixou de herança dramas particulares, comentou Paula Dias.
Este prédio inacabado de 12 andares da Encol virou depósito de lixo e está com a estrutura de ferro do elevador apodrecida. Moradores de um edifício em frente temem que a estrutura, instalada no lado externo do prédio da Encol, caia e coloque em risco a segurança dos vizinhos e de quem passa pela calçada.
O síndico do edifício vizinho, Paulo Roberto Salvi, disse que já caiu madeira podre em cima de carros estacionados na rua. Esse problema, na opinão de Salvi, não é o mais preocupante. A torre do elevador fica de frente para as janelas dos apartamentos. O perigo para os moradores é constante, alertou o síndico.
Salvi também reclamou da situação de abandono do prédio, onde o mato já está da altura do primeiro pavimento. Os vizinhos acham que, com a sujeira, o local favorece a proliferação de mosquitos. São tantas campanhas para combater a dengue e o mosquito pode estar se reproduzindo aqui, no centro da cidade, afirmou o síndico. Ele disse que há seis meses tenta solução junto com as autoridades competentes, mas até agora nada conseguiu. Avisamos a Vigilância Sanitária, a Fundação Nacional de Saúde, a AMA e a CMTU, mas a situação permanece a mesma. O fato é que não podemos nem mais dormir com as janelas abertas, reclamou Salvi.
O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, explicou que, como o terreno do prédio da Encol é particular, o órgão não pode entrar para fazer a limpeza. Só intervimos quando a Defesa Civil nos comunica uma situação de emergência, informou Sella. Ele disse ainda que o município pode executar serviços de terceiros e enviar a conta para o proprietário. Ao limparmos ainda podemos não receber pelo serviço, observou.
O presidente da Defesa Civil, Luís Carlos Bracarense, disse que vai, imediatamente, encaminhar à CMTU o pedido de limpeza do local.





