Paris, 13 (AE) - Nunca, desde a morte de Lady Di, socorrida no Hospital de la Pitié Salpetriére quando sofreu o acidente sob o túnel dAlma , em Paris, um número tão grande de jornalistas havia se concentrado junto ao serviço de urgência ortopédica para esperar pela chegada do jogador Ronaldinho. Mais de 100 jornalistas, cinegrafistas e fotógrafos de todo o mundo se concentraram no local, incomodando funcionários, enfermeiras e mesmo outros pacientes. A direção teve até que proibir a utilização dos telefones celulares, em razão de uma forte interferência nos diversos sistemas eletrônicos do hospital.
Para desdramatizar um pouco a situação, o jogador brasileiro chegou pouco antes das 14 horas (horário de Paris ), transportado por um carro particular, um Volvo azul metálico, e não por uma ambulância como a maior parte esperava. Desembarcou andando com a ajuda de duas muletas e acompanhado de seu assessor de imprensa, Rodrigo Paiva, percorreu uns sessenta metros até os elevadores do hospital, mas não aceitou responder a nenhuma pergunta dos jornalistas. Quando lhe perguntavam como estava se sentindo, Ronaldo, com a fisionomia fechada, baixava a cabeça e continuava sua caminhada tomando sempre cuidado para não tocar com a perna direita contundida no solo.
Enquanto Ronaldinho não quis falar nada, seu assessor de imprensa, Rodrigo Paiva, procurava responder a algumas questões dos jornalistas, mas lembrava que o jogador ainda deveria se submeter a novos exames determinados pelo médico Gerard Saillant
que uma semana antes havia dado sinal verde para sua volta ao futebol.
Paiva disse que Ronaldo contou que, no momento do acidente, sentiu como se tivesse levado uma pedrada no joelho, seguida de fortes dores, conscientizando-se imediatamente do novo drama, o que provocou sua natural explosão emocional. Duas horas depois de sua chegada ao hospital, um primeiro comunicado médico foi lido para os jornalistas, no qual o professor Saillant e o médico do Inter, Piero Volpi, confirmavam a ruptura do tendão rotuliano do joelho direito e anunciavam uma nova cirurgia prevista para as 19 horas de Paris.
Nesse meio tempo, o celular de Rodrigo Paiva tocava sem parar. Eram jogadores da seleção brasileira e outros companheiros de Ronaldo na Itália, como Romário, Leonardo, Rivaldo e o técnico do Brasil, Wanderley Luxemburgo, que pretendiam prestar sua solidariedade ao jogador brasileiro. Zico
que se encontrava no Japão, foi um dos que mais tempo passou conversando com Ronaldo e seu assessor, buscando colher informações detalhadas e dispondo-se a ajudá-lo psicologicamente, como já havia feito anteriormente, quando da primeira cirurgia.
Segundo Paiva, durante a tarde desta quinta-feira (manhã no Brasil), Ronaldo dormiu um pouco, pois havia passado a noite praticamente em claro. Ele chegou a Milão às 4 horas da manhã (horário da Itália) e ficou ao lado de seu filho recém-nascido, Ronald, e de sua mulher Milene. Às 9 horas, tomou café da manhã normalmente e às 10 horas, deixou sua residência para embarcar para Paris, onde deverá permanecer enquanto durar sua hospitalização, por volta de sete dias.

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