Londrina - Foi graças a um mutirão de solidariedade que uma haitiana de 30 anos pôde alimentar as duas menininhas gêmeas que choravam de fome em seus braços e conseguiu um abrigo provisório enquanto se recuperava do cansaço de uma jornada extenuante de trabalho. O drama daquela mulher foi compartilhado ontem pela manhã por funcionários de um depósito de materiais de construção localizado na Rua Tietê, na Vila Nova (área central de Londrina) a uma quadra da sede da Polícia Federal. "Quando abrimos a loja, vimos uma mulher sentada na esquina da frente, com os dois bebezinhos chorando, provavelmente de fome", conta uma das proprietárias do depósito, Édina Maia.
O segurança do estabelecimento fez o primeiro contato com a haitiana, que teria dito que era de Angola e havia sido abandonada pelo marido. Imediatamente, os outros funcionários a levaram para o refeitório do depósito, para que a estrangeira e suas duas filhas gêmeas, ambas de apenas 4 meses de vida, pudessem se alimentar e descansar. Enquanto isso, o segurança divulgou no Facebook a situação da haitiana e pediu a seus seguidores que doassem mantimentos e alimentos no depósito. A resposta foi rápida e comovente. "Começou a chegar gente trazendo colchonete, roupinhas, caixas com alimentos, fraldas, e doaram até dois carrinhos de bebê", conta Gabrielle Costa Maia, nora de Édina e uma das funcionárias do depósito.
Elas levaram a haitiana até a sede da Polícia Federal, para que ela pudesse providenciar alguns documentos pessoais. No meio da tarde, a família Maia levaria a mulher e as duas haitianazinhas de volta para Rolândia (Região Metropolitana de Londrina), onde a imigrante mora com uma comunidade de conterrâneos que reside na cidade vizinha. Quando a reportagem da FOLHA chegou ao depósito, a mulher estava descansando numa ala do refeitório, ao lado das duas gêmeas, que dormiam ignorando o cuidado e o paparico que as funcionárias do estabelecimento lhes dispensavam.
Ela disse que veio ao Brasil há dois anos, depois do marido, em busca de emprego e salário atrativos. Soube da oportunidade em um frigorífico da região por meio de amigos que já estavam morando em Rolândia. "O ônibus pega a gente às 13 horas e às 15 horas começo a trabalhar. Fico até meia-noite, às vezes 1 hora, e chego em casa umas 2 horas", contou a moça. Por considerar a jornada extenuante e por não ter com quem deixar as duas filhas, ela afirmou que pretende deixar o emprego no frigorífico e procurar algum outro serviço em Rolândia.

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