Miami, 14 (AE-AP) - Com uma relativa calma retornando à ruas de Little Havana, o caso da custódia de Elián González transferiu-se hoje (14) para os tribunais, onde familiares de Miami do menino cubano invocaram a Declaração dos Direitos Humanos da ONU para tentar mantê-lo nos Estados Unidos e o governo americano exigiu que o garoto seja entregue a seu pai.
Os parentes, que perderam o caso de custódia no Tribunal de Família da Flórida e apelaram da decisão numa corte federal, atacaram num novo front legal.
Eles argumentaram numa corte federal em Washington que Elián deveria ser impedido de deixar o país até que o governo dos EUA possa certificar que seus direitos humanos não serão violados caso retorne a Cuba.
Em Cuba, "Elián correria o risco de ser perseguido por ter buscado asilo nos Estados Unidos", afirmou os advogados de seu tio-avô de Miami Lázaro González em documentos apresentados hoje. Um juiz decidiu ouvir o caso na quarta-feira.
Enquanto isto, o governo dos EUA respondeu em Atlanta a uma injunção concedida por uma corte federal na quinta-feira que impede que Elián deixa temporariamente o país.
O governo argumentou que Lázaro González não deveria receber ajuda de cortes de apelação até que entregue o menino de seis anos a seu pai, que por sua vez concordou em permanecer nos EUA até que seja esgotada a batalha legal. O governo chamou Lázaro de "um mero parente distante".
O acolhimento da injunção serviu para desarmar a crise na quinta-feira, quando os parentes de Miami ignoraram um prazo final estabelecido pelo governo para a entrega do menino.
Milhares de pessoas haviam se concentrado na frente da casa de Lázaro González em Miami, ameaçando resistir a qualquer tentativa do governo de impor sua vontade e pegar Elián. Quando a injunção foi concedida, o Departamento de Justiça concordou em não tentar reunir Elián com seu pai por alguns dias.
Hoje, cerca de 100 cubano-americanos mantiveram uma vigília, sob intensa chuva, na frente da casa de Lázaro. Muitos se abrigaram sob plásticos azuis e rezavam. Elián e sua prima Marisleysis, de 21 anos, apareceram na porta da frente e acenaram para a multidão.
"Conhecendo o governo federal, eles vão começar a colocar uma pressão incrível sobre a família", disse um manifestante, Fausto Diaz, um empresário de 34 anos. "Espero que o governo não venha derrubar a porta".

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