Dragões da Independência fazem as honras a Figueiredo
Rio, 25 (AE) - Um grupo de três integrantes do 1º. Regimento dos Dragões da Independência fez as honras ao general João Baptista de Oliveira Figueiredo na hora do sepultamento, de acordo com pedido do ex-presidente. Depois que o caixão foi depositado no mausoléu da família Figueiredo, os Dragões dobraram a bandeira nacional e entregaram-na à viúva, Dulce Figueiredo, "em homenagem pelos serviços prestados à Pátria".
Na saída do cemitério, um dos filhos de Figueiredo, Paulo, foi cumprimentar o major Germano Bordon Júnior, um dos Dragões, e disse, apontando para a farda do oficial e afagando o capacete: "Era assim que ele queria ter partido."
Os Dragões integraram um grupo de 500 militares, das três Forças Armadas, que participaram do cerimonial do enterro. "Figueiredo deixa um exemplo de dignidade e profissionalismo", afirmou o comandante do Exército e representante do presidente Fernando Henrique Cardoso no enterro, general Gleuber Vieira.
O cortejo partiu da casa do ex-presidente, em São Conrado, na zona sul, onde aconteceu o velório, fechado para parentes, e percorreu quase 30 quilômetros até chegar ao Cemitério São Francisco Xavier, no Caju. O corpo do general foi transportado num Urutu, um carro de combate, que também era usado pelo Exército para dissolver passeatas durante o regime militar.
O corpo foi recebido no cemitério por uma escolta da cavalaria do Regimento Andrade Neves, do Exército, e uma salva de palmas. O padre Djalma Rodrigues de Andrade, da paróquia que Figueiredo frequentava esporadicamente, em São Conrado, celebrou uma missa na capela B do cemitério, apenas para os mais íntimos. Do lado de fora da capela, havia várias coroas de flores, entre elas a de Fernando Henrique, do ex-ministro de Agricultura e Planejamento de Figueiredo, Delfim Netto, e do vereador e cantor Agnaldo Timóteo.
Após deixar a capela, às 11h15, o caixão passou por um corredor formado por homens da Marinha, Exército e Aeronáutica. As honras militares concedidas a Figueiredo no sepultamente incluíram a execução da Marcha Fúnebre, uma salva de tiros de fuzil e 21 tiros de canhão.
Dulce acompanhou o cortejo ao lado da ex-nora Rosana e de duas netas, Tatiana e Ana Beatriz. Havia dois anos que Figueiredo estava com a saúde extremamente debilitada. Nos últimos dois meses, o estado do ex-presidente era de "confusão mental episódica", explicou o médico, Aloysio Salles. "Ele já não podia ler, e, de vez em quando, pedia para que alguém lesse para ele." O general ficou inconsciente, "marcadamente", uma semana atrás.
O médico não cogitou interná-lo numa clínica, como das outras vezes, optando pelo tratamente em casa. "Ele não fazia objeções a providências médicas", afirmou. "Uma vez convencido da necessidade de tratamento, o general submetia-se, sem queixas." Figueiredo morreu às 9h30, na véspera de Natal.





