São Paulo, 24 (AE) - A maior chacina no Estado ocorreu em Francisco Morato, município da Grande São Paulo, em 17 de junho do ano passado. Foram 12 mortos. Durante a madrugada, três homens invadiram o bar Ponto de Encontro, no centro, e dispararam mais de 50 tiros de diferentes calibres. Houve quatro sobreviventes, mas um deles morreu dias depois. Foi o 46.º dos 89 crimes do tipo ocorridos na capital e região metropolitana naquele ano.
As investigações do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e o Ministério Público apontaram entre os envolvidos no crime os soldados da Polícia Militar Alexandre Gomes e Acyr Camargo, do 26.º Batalhão.De acordo com os policiais do DHPP, o objetivo dos militares era eliminar - como ocorreu - Evelyn Aparecida Abrahão Zenan, de 17 anos, testemunha em um processo de homicídio contra os PMs. No carnaval de 1997, Evelyn viu na porta do Clube Progresso, em Francisco Morato, os militares assassinarem a tiros seu noivo, Marco Antônio de Andrade, que era diretor social da instituição.
Os militares tinham discutido com Andrade dentro do clube e prometeram que se vingariam. Esperaram a saída do diretor e o mataram. Desde o dia do crime, Evelyn passou a receber ameaças de morte, caso testemunhasse. No dia da chacina, os autores estavam usando capuzes. Denúncias anônimas indicaram os soldados, que acabaram presos e estão sendo processados.
Outro bar - Outra grande chacina foi em Parelheiros, em 12 de junho deste ano. Foram sete mortos. Quatro mulheres e três homens foram executados em bar com tiros na cabeça. Três homens invadiram o bar à procura de Antonio José lima, de 35 anos. Ele jogava dominó com outros dois homens. Os assassinos fizeram vários disparos, matando os três. As mulheres foram executadas porque seriam testemunhas. Conforme as investigações, o crime foi um acerto de conta entre traficantes.
Em Diadema, seis pessoas morreram em 20 de abril. Três dias depois, outras seis foram executadas em Itapevi.No ano passado, seis corpos foram encontrados numa estrada, na manhã de 12 de janeiro, em Guarulhos. Número igual de vítimas teve um crime ocorrido em 20 de abril deste ano, em Diadema. Todos os mortos tinham entre 16 e 24 anos. Eles conversavam na rua quando foram cercados pelos assassinos e obrigados a entrar num matagal e deitar no chão. Foram executados com tiros na cabeça.
Há vários casos com cinco vítimas nos últimos três anos. Em 9 de maio de 1998, as vítimas estavam no interior de um carro
nas proximidades do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, quando foram fuziladas. No fim de noite de 11 de fevereiro do ano passado, cinco rapazes foram mortos a tiros numa casa abandonada em Ferraz de Vasconcelos.
Em 1997, houve uma chacina na noite da véspera do Natal. As cinco vítimas participavam de uma ceia no Jardim ¶ngela, quando foram executadas a tiros por seis homens. Também naquele ano, uma mulher, dois filhos menores, o marido e uma amiga foram assassinados num bairro pobre de Embu. Em março, cinco corpos foram encontrados em Parelheiros.
O ano passado foi o que teve o maior registro de chacinas na capital e Grande São Paulo. Foram 89 casos, que totalizaram 308 execuções. Em 1997, houve 47 crimes do tipo, com 162 mortos. O ano anterior teve 167 vítimas e 47 casos. Em 1995, foram 167 execuções e 49 chacinas. As 56 chacinas ocorridas em 1999 até agora deixaram 192 mortos. De acordo com a polícia, os principais motivos das chacinas são tráfico de drogas ou vingança.

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