Princeton, EUA (AE-AP) - O profeta do Islã não é estranho ao mercado. O exemplo de Maomé como um bem sucedido comerciante vem sendo imitado por muçulmanos por gerações.
Desde o século 7, sábios religiosos vem interpretando as leis islâmicas e estabelecendo práticas aceitáveis para negócios e linhas de direção para investimentos para muçulmanos.
Agora, eles estão usando estes princípios na Internet. A universidade Dow Jones, uma divisão da Dow Jones and Co., que publica o Wall Street Journal, reuniu quatro especialistas altamente reconhecidos no campo das leis islâmicas para ministrar um curso on-line denominado "Princípios do Investimento Islâmico".
"Enquanto o pensamento convencional de Wall Street é de que a religião não tem lugar em decisões sobre investimentos, a fé islâmica diz enfaticamente que ela tem tudo a ver com essas decisões", diz Yusuf Talal DeLorenzo, um sábio religioso islâmico e instrutor do curso.
Investimentos islâmicos estão surgindo rapidamente no setor financeiro.
Há entre 4 milhões e 6 milhões de muçulmanos vivendo nos EUA, o segmento da população que mais cresce no país, de acordo com o Centro Macdonald para o Estudo do Islã e as Relações Cristãs-Muçulmanas do Seminário Hartford em Connecticut.
Os muçulmanos ao redor do mundo têm entre US$ 80 bilhões e US$ 150 bilhões para investir, valor que cresce entre 12% a 15% ao ano, de acordo com A. Rushdi Siddiqui, diretor do Índice Dow Jones para o Mercado Islâmico e professor do curso.
O índice, estabelecido no ano passado, rastreia cerca de 650 companhias que aderiram à doutrina islâmica e que possuem uma capitalização total de mercado de cerca de US$ 10 trilhões.
"A administração de riquezas é considerada uma responsabilidade religiosa", disse Siddiqui, que também faz parte do corpo docente do curso.
A maioria dos muçulmanos sabem não investir nas indústrias "pecadoras", aquelas que produzem álcool, entretenimento, produtos suínos, serviços bancários convencionais e outros vícios proibidos pelo Corão, as escrituras sagradas do Islã. Mas eles podem não saber que supermercados e agências de publicidade não são investimentos aceitáveis porque não identificam seus ganhos.
O corpo de sábios da lei islâmica que aprova as companhias a serem listadas no Índice do Mercado Islâmico deve ser capaz de determinar a fonte dos lucros das companhias. Não há empresas de Internet no índice porque a maior parte dos seus ganhos provém de publicidade, diz Siddiqui.
Por enquanto, 14 instituições financeiras foram licenciadas para oferecer produtos financeiros no Índice do Mercado Islâmico. Siddiqui diz que algumas dessas companhias começaram a oferecer produtos financeiros apropriados para muçulmanos na Europa e no Oriente Médio, mas ainda não estão nos EUA.
Youshaa Patel disse que inscreveu-se no curso do Dow Jones porque é uma oportunidade de aliar seus objetivos financeiros com seus objetivos de fé.
"Eu não quero que minha vontade de sucesso financeiro seja um obstáculo para minhas obrigações religiosas", disse Patel, um muçulmano de 23 anos que trabalha para uma empresa de consultoria de administração e tecnologia.

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