Doutores da Alegria curam 85% das crianças
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sábado, 25 de outubro de 2008
Agência Estado 
São Paulo- Duas vezes por semana, vestidos de palhaço, dois artistas passam cerca de seis horas nas alas pediátricas do Hospital do Campo Limpo, em São Paulo. Interagem com cada criança, fazem brincadeiras, arrancam gargalhadas que vão do pronto-socorro à unidade de tratamento intensivo. Essas visitas dos Doutores da Alegria, que se repetem em outros 27 hospitais do País, somando 75 mil encontros anuais, fizeram com que 85,4% das crianças apresentassem evidências clínicas de melhora, segundo os próprios profissionais que as acompanham.
Além disso, segundo os médicos dos hospitais visitados, 89,2% das crianças passaram a colaborar mais com os profissionais de saúde, 74% passaram a aceitar melhor os remédios e tratamentos, 77% começaram a se alimentar melhor e 96,3% ficaram mais à vontade no hospital.
Os dados fazem parte de uma avaliação de impacto do programa de visita dos artistas aos hospitais, um projeto que começou no início dos anos 1990 e que segue a linha de humanização da saúde dentro das unidades, defendida por organismos como a Organização Mundial da Saúde (OMS).
''A permanência do palhaço não é pontual, há uma continuidade no trabalho, eles voltam todas as semanas e a influência nas crianças e nas relações fica quando ele vai embora'', explica Luís Vieira da Rocha, diretor-executivo do Doutores da Alegria. ''Há um pragmatismo e uma hierarquia nas relações do hospital. Os palhaços levam delicadeza, criam situações leves, com a permissão das pessoas. Isso mexe com o ambiente'', diz.
A pesquisa analisou questionários respondidos por 567 profissionais de saúde de hospitais de São Paulo e do Rio: 47% deles atuam nas enfermarias das instituições, 15,2% nas Unidades de Terapia Intensiva e 7,6% nos ambulatórios.


