Mesmo nos caminhos exatos da ciência o inconsciente machista acaba se manifestando. ''Na química, não vejo diferenças entre homens e mulheres em relação à capacidade de desempenhar uma função. Não há distinções na remuneração, pois os salários são tabelados. Mas o que percebo é que os cargos de chefia são ocupados em sua maioria por homens. Na Sociedade Brasileira de Química, a maior parte dos representantes é do sexo masculino''.
A descrição é de Maria Cristina Solci, há 26 anos professora do curso de Química da Universidade Estadual de Londrina (UEL). No início da década passada, ela concluiu doutorado na Universidade de Dortmund, Alemanha. Conseguiu respeito num ambiente que já era democrático na relação entre os sexos. ''Na minha turma de faculdade, havia mais mulheres do que homens'', descreve a professora. No departamento de Química da UEL, aproximadamente metade dos docentes é do sexo feminino. Todas as professoras têm mestrado e/ou doutorado.
Casada, sem filhos, Cristina conta que o fato de ser mulher não lhe trouxe nenhuma dificuldade na hora de provar a consistência de seu trabalho. ''Nunca senti nenhuma discriminação. Esta questão dos homens estarem mais presentes nos cargos de chefia nas áreas de ciência, apesar da procura por estas profissões ser igual entre homens e mulheres, me parece mais um fator cultural'', comenta ela.
Cristina lamenta que distorções graves como diferenças de salários sejam comuns em outras profissões. ''Acredito que o pior é a dupla jornada. A esposa tem que trabalhar e depois cuidar da casa e dos filhos. Tem que sair do serviço mais cedo para pegar os filhos na creche, enquanto o marido não tem essa responsabilidade. São diferenças que começam cedo'', acredita.
''Na Alemanha, não é vergonha um menino lavar louça. Aqui, só a menina deve ajudar nos serviços domésticos, há diferenças na educação. São fatores culturais que se manifestam de forma acentuada mais adiante e que precisam ser superados''.

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