Doula ajuda no trabalho de parto
Assim como o parto normal, outra atividade vem sendo retomada - a de doula, uma mulher que ajuda a gestante no momento do parto, com apoio físico e emocional, além de muita informação.
A designer Patrícia Merlin, de 29 anos, é uma dessas mulheres. Ela começou pesquisando sobre partos, participando de grupos de discussão na internet, e se interessou pelo assunto, até fazer um curso de doula há três anos em São Paulo. Nesse tempo teve o filho, Pedro, de dois anos, e hoje trabalha como doula voluntária na Santa Casa de Maringá.
Doula significa em grego mulher que serve, e é, segundo Patrícia, a figura que segura na mão e diz que vai dar tudo certo. Pode parecer pouco, mas ficar insegura e sentir medo durante o trabalho de parto é normal, e ter alguém que possa explicar o que está acontecendo e como será a evolução do processo pode ajudar a diminuir a ansiedade.
A doula não faz procedimentos médicos como o toque, mas ajuda a gestante a se levantar, estimula a caminhada e pode fazer massagens para diminuir a dor, além de conversar sobre a evolução do trabalho de parto, contrações e dilatação. A doula dá segurança no momento mais sensível da vida da mulher, afirma.
A busca, segundo Patrícia, é por um parto cada vez mais humanizado, que pode vir de pequenas coisas. Como, por exemplo, o poder da mulher decidir sobre seu próprio corpo. Decidir se vai usar anestésico no parto normal, soro para antecipar as contrações e diminuir o tempo de espera para o nascimento, se vai se submeter ou não a episiotomia, corte feito no períneo para facilitar a saída do bebê, ou optar pela cesárea, caso haja necessidade. É preciso dar condições para ela decidir por ela mesma, pondera.
Confirmando a tendência do parto humanizado, uma lei garante à gestante atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), desde abril do ano passado, o direito de ter um acompanhante na sala de parto e durante o pós-parto. Essa companhia ajuda a deixar a mulher mais tranqüila e segura durante o processo, contribuindo para reduzir o tempo do trabalho de parto e o número de cesáreas.
A discussão sobre parto humanizado já está também na internet. Patrícia faz parte de um grupo(www.partodoprincipio.com.br) que já é referência e usa a rede para reivindicar o direito da mulher de ter mais informações sobre o parto normal e fazer suas escolhas.
Em Londrina, grande parte dos postos de saúde tem grupos de gestantes, segundo a enfermeira Eni do Carmo de Souza, responsável pela Comissão de Pré-Natal de Baixo Risco da cidade. Entre as atividades para incentivar o parto normal, são feitas visitas à maternidade municipal, para que a mulher conheça o local e saiba como será o parto. É uma tentativa de tirar o medo. (C.P.)





