Brasília, 09 (AE) - O dossiê produzido pelo governo do Rio e entregue à CPI do Narcotráfico em caráter confidencial frustrou as expectativas dos integrantes da comissão, porque não revela dados sobre os possíveis cabeças e financiadores do narcotráfico no Estado. De acordo com um resumo feito pela CPI com base nos quatro volumes do relatório, o governo fluminense informou à comissão que o Rio tem 23 campos de pouso de aviões sem fiscalização pelas seções da Aviação Sivil (SAC), traz uma listagem de nomes de 17 traficantes já conhecidos, entre os quais Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e detalha a rota do comércio ilegal de drogas que inclui a rodovia Presidente Dutra, o município de Três Rios (RJ) e pequenos aeroportos no Estado, entre eles os localizados em Volta Redonda.
O relatório destaca que, no total, são contabilizados 920 traficantes, que usam 670 armas, no tráfico no Rio. Segundo a deputada Laura Carneiro (PFL-RJ), responsável pelas investigações na CPI sobre o narcotráfico no Rio, o material não tem novidades. "O dossiê não aponta qualquer nome neste nível - nível A, que são os chamados chefões que possuem elevado patrimônio, de difícil identificação e atuam por meio de empresas legais utilizadas como fachadas para atividades ilícitas", diz o resumo, que foi elaborado por Laura Carneiro.
Na sinopse, a CPI critica o fato de estar incompleto o volume de informações das 167 áreas de comércio de drogas no Estado. "Das 167 áreas listadas, 45 não têm qualquer informação e 95 apresentam apenas citação de nome do líder ou gerente (do tráfico)". São citadas as cinco principais áreas da cidade do Rio de Janeiro sob domínio do tráfico: Complexo do Alemão, Favela do Jacarezinho, Morros da Mangueira, Providência e Dendê.
Na rota do tráfico, no segundo volume do relatório, o Centro de Inteligência de Segurança Pública (Cisp) informa que foram apreendidos na rodovia Presidente Dutra cerca de 800 quilos de diversas drogas na altura da Serra das Araras em ônibus e caminhões. São usados carros de passeio e ônibus que percorrem estradas regionais até o bairro de Santa Cruz, municípios de Belford Roxo e Duque Caxias, na Baixada Fluminense.
O documento destaca que a droga proveniente de Colômbia, Peru, Bolívia e Paraguai chega aos Estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul por rotas diferentes, que incluem as cidades de Presidente Prudente, Presidente Epitácio, em São Paulo, e Volta Redonda, no Rio.
Além de revelar o número de prisões de traficantes (13.864 pessoas) e apreensões (5 toneladas de maconha e 2 toneladas de cocaína) no período de janeiro a dezembro de 1998, o dossiê diz que há números conflitantes fornecidos pela Polícia Federal (PF) e Polícia Civil sobre apreensão e faturamento do tráfico no Rio.
O líder do PFL na Câmara, deputado Inocêncio Oliveira, propôs hoje que a CPI do Narcotráfico tenha os trabalhos prorrogados por tempo que for necessário e seja transformada em uma comissão permanente. O líder do PT, deputado José Genoíno, avalia que a CPI precisa concluir as investigações, mas deve deixar de existir no momento em que as apurações chegarem ao fim.

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