Dossiê denuncia grupo de extermínio no Rio
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quinta-feira, 08 de maio de 1997
Agência Estado 
RIO - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa Fluminense (Alerj), que investiga os abusos de violência policial cometidos contra a população, recebeu ontem um dossiê com registro de quatro casos de extermínio praticados, supostamente, por policiais. No documento, que foi entregue por um dos parentes de uma das vítimas ao presidente da CPI, deputado estadual Edmilson Valentim (PC do B), os familiares denunciam a existência de um grupo de extermínio formado por policiais militares e civis.
O documento denuncia, ainda, a falta de atenção e a lentidão da Justiça na apuração dos casos. O primeiro caso teria ocorrido em 1988 e envolve os irmãos Evandro Sérgio Mendes, de 19 anos, Aldenir Calixto Mendes, de 17, e Magno Fernandes Mendes, de 16. Os três foram retirados de casa e assassinados por desconhecidos, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Todos trabalhavam como lavadores de carros da 59ª Delegacia Policial, Duque de Caxias. Segundo a mãe dos rapazes, a empregada doméstica Maria Madalena Mendes, de 58 anos, os filhos foram assassinados por terem descoberto algo irregular na delegacia onde trabalhavam. Eles foram assassinados pela Polícia, acusa Madalena.
Em 1992, o educador de meninos de rua, Jorge Antônio Alves de Oliveira Filho, de 20 anos, foi morto no Centro da cidade. No dossiê, os familiares relataram que ele fora ameaçado de morte por integrantes de grupos de extermínios - que seria formado por policiais - por trabalhar com crianças de rua. No mesmo ano, Alonso Eugênio da Silva, de 16 anos, foi assassinado com vários tiros, em Madureira, na zona norte.
O presidente da CPI, deputado estadual Edmilson Valentim (PCdoB), disse que o dossiê será anexado aos outros documentos que investigam os casos de atrocidades praticados pela polícia.


