Ribeirão Preto, SP- A dose única de antibiótico profilático, antes de uma cirurgia, é o suficiente para prevenir infecções hospitalares que ocorrem no local cirúrgico. A aplicação do antibiótico 24 horas depois da operação, ou nos cinco ou sete dias seguintes, não funciona e não traz benefícios aos pacientes, expondo-os a drogas com efeitos colaterais e matando várias bactérias indiscriminadamente, tornando-as resistentes com o tempo.
Além disso, com a dose única, ocorre a diminuição dos gastos com os medicamentos para quem for pagar (particular ou o poder público). Foi essa a constatação de um estudo, durante a descrição de um programa adotado pelo Hospital São Francisco, de Ribeirão Preto, a 310 km de São Paulo.
A infectologista e gerente médica do Hospital São Francisco, Sílvia Nunes Szente Fonseca, é uma das pesquisadoras e diz que a informação de que a aplicação de uma dose profilática (cefazolina é o antibiótico mais usado e recomendado) em cirurgias é suficiente já é conhecida há muito tempo no meio médico. Porém, não tem informações de casos publicados sobre a não-utilização do medicamento pós-cirurgia. Por isso, o Hospital São Francisco, que já havia suspenso o uso de antibióticos após as 24 horas, passou por dois estudos entre 2002 e 2003. O resultado foi publicado na segunda-feira (20) pela revista americana Archives of Surgery.
Entre fevereiro e outubro de 2002, 6.140 pacientes consecutivos que sofreram cirurgias no São Francisco tiveram as aplicações profiláticas e a de 24 horas depois. Entre dezembro de 2002 e agosto de 2003, 6.159 pacientes receberam apenas a dose única, profilática. Os resultados de infecção foram praticamente iguais: 2% no primeiro caso e 2,1% no segundo. Porém, o uso de antibióticos teve redução de 63% no segundo estudo, em relação ao primeiro, representando uma economia mensal de US$ 1.980. ''Os anestesistas foram preparados para isso'', explica Sílvia. Assim, o médico preocupa-se apenas com o aspecto cirúrgico do paciente e o anestesista com a aplicação do antibiótico, no momento ideal.
Sílvia Fonseca lembra ainda que o São Francisco, que usa desde 2002 esse procedimento, adotou algo raro desde os estudos: a busca pós-alta hospitalar, 15 a 20 dias depois. Ou seja: por telefone, os pacientes operados são procurados para se verificar possíveis infecções. ''As infecções relacionadas às cirurgias ocorrem entre 70% a 80% pós-alta'', detalha Sílvia.

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