São paulo, 23 (AE) - Dos nove convocados a depor na CPI dos Fiscais, seis não puderam comparecer hoje na Câmara Municipal. Os vereadores não obtiveram a permissão da Justiça para ouvir os intimados que já estão presos. Entre os ausentes Marcelo Henrique da Silva Bento, o Marcelo Negão, acusado de tentativa de homicídio contra o diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Economia Informal, Afonso José da Silva, era o mais esperado. De acordo com o presidente da CPI, José Eduardo Martins Cardozo, o juiz-corregedor pede que a convocação seja feita com cinco dias de antecedência, o que nem sempre é possível.
Foi lido hoje, durante a sessão, o depoimento da ambulante Geni Alexandre da Silva, que ocorreu na terça-feira à noite, a portas fechadas, por motivo de segurança. Em seu depoimento, Geni, que foi ameaçada de morte depois de tentar denunciar a cobrança de propinas na região da Sé, reforça a participação do deputado estadual Hanna Garib (PPB) no esquema de corrupção. Ela afirmou ter sido ameaçada por Jorge, cunhado de Piauí, que teria dito: "Se você falar o nome do Hanna, você não terá mais segurança nessa vida". Geni disse que, na sua opinião, quem mandou matar Afonso foi Garib.
O ambulante conhecido como Piauí está foragido da polícia e é acusado de ser o mandante do assassinato de Afonso. O ambulante Hanmurabi Pereira de Oliveira afirmou em seu depoimenro que Piauí e Hanna Garib se conhecem. Na opinião de Cardozo, isso deve ser investigado e, se comprovado, complicar ainda mais a situação do deputado estadual.
Geni também afirmou que Hanna Garib, o ex-regional da Sé
João Bento, e o presidente da Associação de Comerciantes do Brás, Youssef DaWalibi, o Jô, estavam sempre juntos e costumavam circular entre as barracas de camelôs. "Você acha normal um vereador no meio das barracas?", insinuou a ambulante. Ela voltou a dizer que Jô recolheu R$ 442 mil dos lojistas para retirar os ambulantes das ruas. O dinheiro teria sido usado para fazer "negociação" na regional da Sé.

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