São Paulo, 15 (AE) - No primeiro dia de fiscalização da lei que prevê o fechamento dos bares à 1 hora, 90% dos estabelecimentos das regiões nobres da cidade não tinham alvará de funcionamento ou a documentação estava irregular. Três equipes da Prefeitura vistoriaram 13 bares: 6 no Itaim-Bibi, na zona sul, 2 em Pinheiros, 2 na Vila Madalena, na oeste, e 3 na região central. No centro, um não tinha alvará. Nos outros dois, a Prefeitura não conseguiu verificar o documento porque os proprietários começaram a discutir. O dono do bar Armênia, Ivan Denilson Rangel, e o funcionário João dos Santos Souza foram presos por desacato a autoridade e liberados após pagarem fiança.
As equipes - formadas, no mínimo, por dois engenheiros do Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru), um engenheiro da Secretaria Municipal de Abastecimento (Semab), três agentes da Secretaria das Administrações Regionais (SAR) e quatro homens da Guarda Civil Metropolitana (GCM) - começaram a vistoria pouco depois da 1 hora. Em Pinheiros e na Vila Madalena
apenas quatro bares estavam abertos. Na Rua Mourato Coelho, famosa pelo grande número de bares, todas estavam fechados após a 1 hora. No Itaim, a situação era diferente. O primeiro bar vistoriado foi o Iron Horse, na Avenida Faria Lima. Apesar de não haver pessoas nas mesas de fora, a blitz entrou.
O gerente, Silvio Lobão, apresentou documentos mostrando ter isolamento acústico, segurança e estacionamento, além de apresentar o alvará. "Estamos tranquilos, fechamos à 1 hora a parte externa, que não poderia funcionar". Este foi o único bar que não foi autuado. Depois, a equipe seguiu para a Casa do Padeiro, que foi multada em R$ 14 mil por não ter isolamento acústico e estar aberta após a 1 hora. O gerente, João Paulo dos Santos, afirmou que vai recorrer. "A casa é um restaurante, não um bar". Ele não apresentou alvará. Revolta - O Morro de São Paulo, também na Faria Lima, além de ser autuado por descumprir a nova lei, foi intimado pelo Contru a pôr sistema de segurança contra sinistros - outros cinco também terão de fazer obras para melhorar a segurança. A casa só tinha um protocolo do alvará. "O contador disse que é válido", reclamou o gerente, Waldecir Ferreira. O Contru é responsável pela segurança de locais que abrigam mais de cem pessoas. Quando a capacidade é menor, isso cabe à SAR. No Barraco, que fica na Rua Tabapuã, a blitz chegou por volta das 3 horas, quando um veículo da Polícia Militar registrava uma ocorrência.
Os adolescentes revoltaram-se com a entrada dos engenheiros e fiscais e deixaram o bar. Na rua, gritavam que a Prefeitura deveria cuidar da corrupção e da violência na periferia da cidade. O bar foi autuado com base na nova legislação porque havia mesas do lado de fora e não tinha isolamento acústico. O alvará não foi apresentado. De acordo com o diretor do Contru, Carlos Alberto Venturelli, a escolha dos bairros foi feita segundo o número de informações recebidas. "De cada dez reclamações enviadas ao Contru, quatro são sobre estes bairros". Segundo o secretário municipal do Abastecimento, Naor Guelfi, de cada 60 denúncias recebidas pela Semab, 20 referem-se a esta região. "A população tem razão de reclamar; é muito barulho para quem quer dormir". O secretário não acompanhou a fiscalização porque não se sentiu bem.

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