Dornelles quer política fiscal "de guerra"
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quarta-feira, 10 de março de 1999
Por Vânia Cristino 
Brasília, 11 (AE) - O ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, defendeu hoje "uma política fiscal de guerra" para o País conseguir sair rapidamente da crise. Segundo Dornelles, esta política de guerra significa o governo só gastar o que arrecada.
O ministro do Trabalho acredita que o governo conseguirá impedir a volta da inflação com uma política monetária rígida, não devendo também ser permitida, em nenhuma hipótese, a reindexação da economia. "Com isso conseguiremos furar a bolha inflacionária provocada pela desvalorização do real", declarou.
Na opinião do ministro a inflação este ano será inferior à estimada pelo governo no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Já a partir de maio, prevê Dornelles, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) será declinante.
Para o ministro, a nova política cambial do País, de livre flutuação do dólar, foi a mais importante medida para a indústria nacional. "Nossa indústria não resistiria à concorrência externa com a política anterior." Otimista, Dornelles previu um outro cenário para o segundo semestre do ano
inclusive com relação ao emprego.
Empregos - Para ele, a livre flutuação do dólar abriu espaço para o crescimento das exportações. "Para cada US$ 1 bilhão a mais exportado teremos 50 mil a 60 mil novos empregos"
disse. Dornelles explicou que o emprego também será gerado nas indústrias nacionais não exportadoras, que passarão a vender mais no mercado interno porque os importados estarão mais caros. "A substituição da importação também gerará empregos", avaliou.
Na opinião de Dornelles o maior perigo que o País corre é o risco da indexação. O ministro classificou qualquer mecanismo de indexação salarial de "um crime contra o interesse dos trabalhadores". E afirmou que os trabalhadores não querem a volta da inflação porque sabem que ela corrói os salários.


