Brasília, 05 (AE) - O ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, quer uma fiscalização mais intensa no uso dos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) em programas de qualificação profissional conduzidos por Estados e municípios. Numa primeira medida neste sentido, o ministro afirmou que vai propor ao Conselho Deliberativo do FAT (Codefat) que o ministério pague as empresas que fazem auditorias nos programas. Hoje elas são pagas pelos próprios Estados ou municípios.
Em audiência hoje na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados, Dornelles defendeu que os programas de qualificação profissional continuem descentralizados, sem qualquer interferência do ministério. Mas pediu o engajamento de todos na fiscalização do uso dos recursos do fundo. "É preciso que todos fiscalizem inclusive as assembléias estaduais e as câmaras dos vereadores", afirmou.
Ele antecipou que o Distrito Federal poderá não receber os recursos do FAT no próximo ano caso sejam comprovadas as denúncias de irregularidades ocorridas na Secretaria do Trabalho local sobre o desvio de 33% das verbas do fundo. Esta semana o secretário Wigberto Tartuce, que é deputado federal pelo PPB, o mesmo partido de Dornelles, foi demitido depois que as denúncias vieram à tona.
Na audiência de hoje, Dornelles irritou-se quando o deputado Geraldo Magela (PT-DF) insinuou que o caso de Brasília poderia não ser devidamente fiscalizado porque Tartuce é do mesmo partido do ministro. Demonstrando indignação, Dornelles considerou a avaliação de Magela "medíocre e pequena" por imaginar que, por ser do partido, Tartuce não teria a administração averiguada.

mockup