Brasília, 01 (AE) - A mudança da legislação trabalhista defendida pelo governo poderá começar pela definição do que os trabalhadores não concordam que seja mexido. Essa foi a sugestão
feita hoje por sindicalistas ao ministro do Trabalho, Francisco Dornelles. "A discussão pode começar por aí", declarou Dornelles. Segundo o ministro, uma vez definidos os ítens inegociáveis pelos trabalhadores, todos os demais poderão ser objeto de negociação.
O debate sobre a modernização da legislação trabalhista, que o ministro queria iniciar com as centrais sindicais a partir deste mês, começou na prática hoje, durante o lançamento do 12° número da revista "Mercado de Trabalho". Os sindicalistas convidados para o lançamento da revista fizeram questão registrar suas posições. Luiz Marinho, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, disse que só concorda em negociar os direitos dos trabalhadores, como férias , 13º e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), previstos no artigo 7º da Constituição, se for para cima, ou seja, para obter maiores benefícios.
"A lei só garante o mínimo", argumentou. Segundo Marinho, em vez de o governo insistir no artigo 7º, deveria insistir na mudança da estrutura sindical, que é arcaica e não favorece a negociação. Posição distinta tem o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva. Ele disse que é favorável à mudança, mas reconheceu que tem dificuldade em convencer os trabalhadores. "O governo poderia fazer uma troca", sugeriu Paulinho. Como troca Paulinho sugeriu a redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40 horas.
Já o presidente da Social Democracia Sindical, Enilson Simões de Moura, o Alemão, é totalmente favorável à idéia. Ele disse que apenas poucos pontos, como por exemplo a proibição do trabalho escravo e infantil, são inegociáveis. "Se alguém quiser negociar isso tem que ir para a cadeia", disse. Alemão também defendeu que o ministro Dornelles não aguarde o consenso para encaminhar a proposta ao Congresso. "Numa democracia a maioria decide", disse.

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