Brasília, 29 (AE) - O governo escalou o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, para ser o porta-voz na defesa do projeto de lei complementar que transfere aos Estados a competência de fixar um piso estadual que pode ser superior ao salário mínimo nacional de 151 reais. O Palácio do Planalto avalia que a questão não está bem explicada.
Por isso, Dornelles intensificará o número de entrevistas aos veículos de comunicação, principalmente às emissoras de rádio.
Pretende-se que, a partir de amanhã (30), o ministro ocupe espaço nos principais programas de rádio para defender a proposta do governo.
Hoje, foi gravada uma entrevista para a o programa "Voz do Brasil", produzido pela Radiobrás. "Repetir, repetir e repetir; essa é a estratégia e não dá para ser outra", conta um auxiliar do presidente Fernando Henrique Cardoso. "O governo federal não pode correr o risco de perder essa guerra porque não soube se explicar; o Dornelles tem de falar para o interior", justifica outro interlocutor.
A ofensiva nas rádios em favor do projeto do mínimo estadual começou a ser discutida na segunda-feira (27). Na primeira reunião de avaliação, o núcleo de articulação política do Planalto identificou os pontos vulneráveis da discussão do mínimo de 151 reais. Além dos atritos com o PFL do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (BA), os colaboradores de Fernando Henrique concluíram que era necessário frear a reação dos governadores ao projeto que transfere para eles a competência de fixar um piso estadual superior aos 151 reais.
Desde a quinta-feira (23), quando o novo mínimo foi anunciado, o ministro do Trabalho tem empenhado-se em ocupar todos os espaços possíveis nos meios de comunicação. Dornelles repete os argumentos em favor da delegação aos Estados. Depois de analisar as principais entrevistas, os estrategistas do governo concluíram que o ministro tem o perfil técnico-político adequado para tratar do assunto, que provocou uma das mais graves crises na base de sustentação política do governo.
A possibilidade de convocação de uma cadeia de rádio e televisão foi descartada. Os articuladores do Planalto avaliaram que, além de não ser um modelo de comunicação que agrade à população, uma cadeia nacional poderia criar mais atritos com o PFL e os governadores.

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