Dornelles é contra exigir preservação de empregos na Ford em SP
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domingo, 25 de julho de 1999
Por Mônica Ciarelli (especial para AE) 
Rio, 26 (AE) - O ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, disse ser contra o governo vincular seu apoio à instalação da fábrica da Ford na Bahia ao compromisso da montadora de preservar os empregos em suas fábricas em São Paulo. "Sou contra qualquer medida que condicione os investimentos na Bahia aos problemas em São Paulo", afirmou o ministro. "A Ford ia fazer um investimento no Rio Grande do Sul e transferiu para a Bahia, isso não tem nada a ver com os problemas em São Paulo."
Dornelles destacou que não existe relação entre o estudo da montadora sobre a transferência da fábrica de caminhões de Ipiranga com os planos da empresa na Bahia. Ele explicou ainda que a Ford já anunciou que pretende investir US$ 500 milhões na expansão de sua frota de caminhões e pick up, além dos recursos já previstos para instalação da fábrica na Bahia.
"Não podemos exigir da Ford o que não foi exigido de outras montadoras que participaram do programa automotivo", argumentou. Ele ponderou que a Constituição brasileira permite que os empresários tenham mobilidade para transferir seus negócios no País.
O ministro revelou que o presidente da montadora, Antônio Maciel Neto, garantiu ao governo que nenhum funcionário da Ford em São Paulo será demitido este ano. Segundo ele, a montadora está aberta ao diálogo com os sindicatos, para que juntos encontrem um solução para os projetos de transferência da fábricas de São Paulo.
Uma das preocupação do governo, segundo Dornelles, é com a falta de capacidade das centrais sindicais de negociar com as empresas. O ministro considera que a atual legislação trabalhista é arcaia, impedindo que as centrais tomem decisões que não possam ser contestadas na Justiça.
Legislação - "O governo não quer tirar direitos dos trabalhadores, mas é preciso fortalecer os sindicatos, dando poder para que eles possam negociar acordos que sejam favoráveis aos trabalhadores e às empresas", explicou Dornelles, após participar da apresentação de um projeto do Grupo Sendas para garantir trabalhos aos adolecentes.
O ministro propôs que seja incluído na Constituição um artigo que evite contestação judicial a uma decisão que seja fruto da negociação entre sindicatos e empresários.
Dornelles disse ainda que o governo está otimista com a reação do mercado de trabalho nos últimos meses. Ele lembrou que foram criados mais de 340 mil novos postos de trabalho no país entre maio e junho, revertendo uma tendência iniciada no ano passado.
A recuperação é fruto, na opinião do ministro, da queda da taxa de juros, da maxidesvalorização cambial e do incremento das exportações. "A desvalorização permitiu que algumas empresas que não conseguiam competir com os importados reagissem
aumentando sua produção", explicou.


