Rio, 28 (AE) - O ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, disse que fez um apelo ao presidente do BNDES, José Pio Borges, para que converse com outros credores do grupo Mappin para verificar se não há como fazer um pool para salvar a empresa. "O BNDES não tem que ser hospital, mas muitas vezes a instituição financeira tem de ver se, colocando mais um pouco, não recupera tudo o que colocou", afirmou Dornelles, lembrando que, muitas vezes, os bancos privados adotam essa medida.
Dornelles evitou criticar Borges, que já afirmou ser contrário à concessão de qualquer empréstimo ao grupo Mappin sem a concessão de garantias apropriadas. "Pio Borges tem que cuidar do interesse do banco", justificou. Dornelles está nese momento fazendo uma palestra para a Força Sindical no Teatro da Faculdade da cidade de Humaitá.
Migração - Dornelles informou também que vai refazer a política de migração de trabalhadores estrangeiros para o Brasil. Dornelles afirmou que vai discutir o assunto com os principais sindicatos do País. "Quem vai fazer a política de migração brasileira são as centrais sindicais", afirmou. Ele explicou que demitiu ontem o diretor e o subdiretor do setor de migração da área de trabalho do Ministério porque a concessão de vistos para migração estava "muito frouxa".
O ministro citou números de vistos concedidos no ano passado para demonstrar que foi autorizada a entrada de muitos trabalhadores cujas funções poderiam ter sido preenchidas por funcionários brasileiros. Em 98, foram concedidos 2,4 mil vistos para gerentes; 1,190 mil para diretores de empresas; 820 para engenheiros e arquitetos; o mesmo número para encanadores, soldadores e chapadores; 460 para oficiais de bordo e 360 para economistas e contadores. "Queremos absorver tecnologia estrangeira e não podemos fechar a nossa economia", afirmou.
"Agora, não podemos permitir que empresas estrangeiras que tenham comprado estatais entrem aqui tirando vagas de pessoas do nosso mercado", disse o ministro, sem querer se referir especialmente a espanhola Telefónica, que tem sido apontada como empresa que adota esta prática. O ministro afirmou que, em 15 dias, também vai começar uma fiscalização de rebocadores que estariam sendo trazidos de outros países com tripulação estrangeira para trabalhar no Brasil sem condições de segurança e a salários mais baixos do que a média do mercado.

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