Dornelles diz que governo só discutirá salário mínimo em abril
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quinta-feira, 18 de março de 1999
Por Vânia Cristino 
Brasília, 19 (AE) - Nos últimos dias de abril, o governo vai discutir propostas de aumento para o salário mínimo, de acordo com o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles. "O governo não aceita qualquer cláusula de indexação", declarou. Na reunião realizada hoje para discutir propostas com o objetivo de gerar emprego e mudar a legislação trabalhista, todos os representantes das centrais sindicais defenderam reajuste para o salário mínimo e fórmulas de proteção aos salários.
O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, levou para o ministro proposta para um salário mínimo de 180 reais. "Não queremos a indexação salarial, mas, se a inflação chegar a 10%, vamos lutar para a reposição salarial dos trabalhadores no mesmo porcentual", disse Paulinho.
O representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT)
Marcelo Sereno, afirmou que a entidade defende um salário mínimo de 188 reais, além de reajuste salarial de 10% nas remunerações para preservar o poder aquisitivo dos trabalhadores. A CUT também quer, a partir de maio, um gatilho automático para os salários, toda vez que a inflação atingir 5%. "Se a ainflação estiver sob controle, como diz o governo, o gatilho não será acionado tão cedo", disse Sereno.
A Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) quer que o governo cumpra o compromisso assumido de duplicar o valor real do salário mínimo em quatro anos. A proposta, levada pelo secretário-geral da CGT, Canindé Pegado, prevê ainda a recuperação das perdas reais para os salários, mais a previsão da meta inflacionária deste ano. A Social Democracia Sindical (SDS) também defende mecanismos de proteção ao salário.
Mesmo contra a vontade do governo, o reajuste do salário mínimo, previsto para maio, está sendo defendido pelos partidos dda base aliada. O PMDB começou a semana defendendo o reajuste. Depois, o próprio PSDB, partido do presidente Fernando Henrique Cardoso, defendeu um índice mínimo para o reajuste, entre 4 e 6%. Ontem (18), o deputado Rodrigo Maia (PFL) apresentou um projeto propondo um reajuste de 10%. Tudo isso sem contar com a pressão que o PT promete fazer em defesa de um reajuste para o mínimo.


