Dornelles diz que Clinton não tem "autoridade" para criticar o Brasil
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sexta-feira, 03 de dezembro de 1999
Por Maria Fernanda Delmas 
Rio, 03 (AE) - O ministro do Trabalho e do Emprego, Francisco Dornelles, disse hoje que "não vê autoridade no presidente dos Estados Unidos, um país onde há segregação racial
para fazer críticas ao Brasil". Segundo Dornelles, as críticas do presidente Bill Clinton são uma maneira de "justificar a atitude protecionista dos Estados Unidos".
Esta semana, em Seattle (EUA), Clinton citou o Brasil como exemplo de país onde o trabalho infantil é explorado, e anunciou que o governo norte-americano proibirá a compra de bens produzidos com trabalho forçado. "As palavras de Clinton mostraram uma vontade de inventar coisas que não existem para evitar que produtos brasileiros entrem lá", atacou Dornelles, durante um seminário sobre nova organização do trabalho, no Rio.
O ministro, entretanto, admitiu que ainda existem "distorções" no Brasil, e afirmou desejar que a fiscalização do ministério fosse avisada sobre os casos de exploração de crianças. "Mas os Estados Unidos também não venceram todos os problemas raciais", frisou. Segundo ele, o Brasil abriu suas fronteiras de modo "escancarado". "Muitas bugingangas importadas tiraram o emprego dos brasileiros, e, no momento em que os outros países se fecham, temos de tomar uma posição".
Dornelles informou que o presidente Fernando Henrique Cardoso sancionará, entre o final deste ano e o começo do próximo, algumas medidas relativas ao trabalho, como a assinatura de duas resoluções da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Entre elas, está a 182, que se refere à eliminação das piores formas de trabalho infantil e foi assinada por Clinton na quinta-feira.


