Dormir de lado evita apnéia em bebês
PUBLICAÇÃO
domingo, 17 de dezembro de 2000
Agência Folha De São Paulo 
Uma das doenças que mais tiram o sono dos pais é a apnéia do lactente: uma pausa na respiração que atinge geralmente bebês, na faixa etária que vai de 0 a 1 ano de idade.
As apnéias acontecem durante o sono e são muito comuns. Estima-se que cerca de 1 em cada 3 bebês faça essas pausas na respiração enquanto dorme. O quadro só passa a ser preocupante quando os bebês fazem essas pausas frequentemente. Mas a enfermidade é totalmente curável e raramente persiste em bebês com mais de 1 ano.
Os sintomas são fáceis de ser observados. São a palidez e a cianose. O bebê fica com a boca e as extremidades, mãos e pés, roxinhas, explica a neuropediatra Márcia Pradella Hallinan, especializada em doenças do sono.
Segundo ela, a causa mais comum da apnéia do lactente está relacionada à imaturidade do centro respiratório. Porém, também podem acontecer apnéias por causa de refluxos que ocorrem quando parte dos alimentos ingeridos pela criança sobem do estômago para o esôfago e de engasgos, principalmente durante a mamada.
A posição em que o bebê dorme também é importante. Os bebês que dormem de bruços (de barriga para baixo) estão mais sujeitos a ter apnéias, diz Márcia.
Segundo a neuropediatra, outro fator complicador é o tabagismo, que pode aumentar em até dez vezes a incidência do fenômeno. O diagnóstico da apnéia é feito por meio da polissonografia, um exame que mede a entrada do ar e os movimentos do tórax e do abdômen.
Para a maior parte dos casos, o tratamento da apnéia do lactente é bastante simples. Basta colocar o bebê para dormir de lado ou de barriga para cima. Se o bebê acabou de mamar, a posição ideal é o decúbito (posição) lateral direito, que facilita o escoamento do estômago. Em casos graves, a solução é usar um aparelho para monitorar o sono do bebê.
Outra doença relacionada ao sono que atinge bebês é a síndrome da hipoventilação congênita, muito rara e incurável. Está relacionada à operação do controle automático da respiração e faz com que seus portadores não consigam respirar bem enquanto dormem.
A pediatra norte-americana do Hospital Universitário Johns Hopkins Carole Marcus, especializada nessa síndrome, diz que não existem números confiáveis sobre a incidência da doença. Contudo ela afirma ter conhecimento de aproximadamente 180 pacientes em todo o mundo.
Carole explica que o único tratamento possível para a síndrome é a ventilação noturna. Existem vários tipos de ventiladores, alguns deles menos invasivos para a criança. Existem também dados que apontam que movimentação constante pode ajudar na respiração, mas ainda são altamente experimentais e preliminares, diz.


