Dorcelina levou dossiê à CPI
Há três meses, a prefeita de Mundo Novo (MS), Maria Dorcelina (PT), encontrou o presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara, deputado Nilmário Miranda (PT-MG), no corredor do Congresso, e disse que estava indo à CPI do Narcotráfico entregar um dossiê denunciando a existência de vários grupos ligados ao tráfico de drogas, armas e prostituição juvenil na fronteira do Brasil com o Paraguai. O documento, que pode revelar os autores da morte da prefeita, segundo seus amigos, também foi entregue ao governo de Mato Grosso do Sul e ao Ministério Público.
O crime, segundo o deputado Nilmário Miranda, pode ter conotação política, mas extrapola os limites do município. ‘‘Não havia razão para ela ser morta por questões locais, já que tinha 86% da preferência popular’’, afirmou Miranda.
Amanhã, segundo o deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ) informou ao presidente da Comissão de Direitos Humanos, os integrantes da CPI irão fazer um levantamento de todos os documentos chegados à comissão e que ainda não foram analisados para averiguar se há a denúncia da prefeita assassinada. ‘‘Ela esteve aqui há uns três meses e me informou que estava entregando o documento à CPI’’, disse Miranda.
Além de suspeitar que a morte de Maria Dorcelina ocorreu por causa das denúncias contra o narcotráfico, a Polícia Federal – que está trabalhando paralelamente no caso junto com a Polícia Civil – não descarta também a possibilidade de haver relação com problemas fundiários, já que a prefeita apoiava todas as invasões promovidas pelo MST, de quem era porta-voz na região.
‘‘Se for isso, pode acontecer um grande enfrentamento na região entre sem-terra e fazendeiros’’, afirma um dos coordenadores nacionais do MST, Gilberto Portes.
Dorcelina nasceu no Paraná, mas se mudou para o Mato Grosso do Sul ainda jovem. Participou de ações da Pastoral da Terra, fez parte do movimento da terceira-idade no Estado e denunciou o envolvimento de vários prefeitos com quadrilhas de traficantes e roubo de caminhões.
Foram as denúncias de Dorcelina que levaram o ex-prefeito José Carlos da Silva a renunciar. O vice que assumiu, Ademar Antônio da Silva, também foi alvo das denúncias de Dorcelina, que criticava a nomeação de parentes e várias irregularidades, como desvio de verba pública.
Dorcelina dizia às amigas que a ‘‘máfia da fronteira’’ a mataria e que somente o apoio do povo de Novo Mundo é que lhe dava sustentação política. Combativa, Dorcelina deu o nome de Winnie a uma das duas filhas, em homenagem a Winnie Mandela, ex-mulher do líder e presidente sul-africano, Nélson Mandela.

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