Dor em criança é mais comum do que se pensa
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segunda-feira, 07 de novembro de 2005
Vítor Cavalcanti<br>Agência Estado 
Estudos recentes da Sociedade Americana de Dor estimam que 56% dos adultos vão sofrer com algum tipo de dor crônica em certo momento da vida. As mesmas pesquisas apontam que, entre as crianças, esse percentual pode chegar a 10%. Isso mostra que a dor crônica infantil é algo comum e derruba algumas teorias da década passada. O assunto foi tema do Simbidor - 7º Simpósio Brasileiro e Encontro Internacional Sobre Dor (Simbidor) realizado em São Paulo.
O evento debateu a dor e seus diversos aspectos, como as novas abordagens terapêuticas no tratamento da dor em crianças. Até pouco tempo atrás, a dor infantil era tratada com descaso e vista, de certo modo, como manha. Isso pela dificuldade de a criança relatar exatamente o problema que a aflige, dificultando o tratamento. Para Elliot J. Krane, professor de anestesia e pediatria da Universidade de Stanford (EUA), ''é importante identificar as formas de controlar a dor com terapias menos invasivas''. Ele ressalta que o lado psicológico da criança não deve ser esquecido.
A dor pode ter diversas origens. Podendo surgir em decorrência de alguma doença, como o câncer, ou até mesmo após uma cirurgia. Num passado recente, os médicos hesitavam em propor tratamento; havia receio no uso de medicamentos, como analgésicos, utilizados somente em adultos. Hoje, com a evolução tecnológica e o aumento de informações este quadro tem mudado e já é possível encontrar núcleos especializados só no tratamento da dor, seja no adulto ou na criança.
Porém, esta questão ainda merece atenção da comunidade científica. O professor Krane, que nos EUA possui uma clínica especializada no tratamento da dor, lembra que há estimativas de que 5% das crianças sofrem com enxaqueca, algo surpreendente na visão do especialista. ''Atualmente, nós temos instrumentos para avaliar a dor infantil e trabalhamos com tabelas que nos auxiliam no diagnóstico e na condução do tratamento'', informa Charlize Kessin, médica-assistente da divisão de anestesia do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo.
O tratamento envolve equipe multidisciplinar, que acaba funcionando como um alicerce ao tratamento da causa central do problema. A médica explica que quando uma criança chega a um grupo específico de tratamento da dor, como o existente no Hospital das Clínicas, ela já tem a causa diagnosticada, mas está com dificuldades no controle da situação.
Uma dor não tratada adequadamente pode deixar sequelas como síndromes e até mesmo virar algo crônico. Diversos adultos, vítimas de dor crônica, podem ter desenvolvido o problema em consequência de uma dor não curada na infância.
Durante o tratamento, os pais têm papel fundamental. Isso porque, é bastante comum retirarem os filhos do convívio social como forma de proteger a criança, atitude pouco sábia na visão do especialista da Universidade de Stanford. ''Se a dor for crônica é preciso deixar essa criança integrada às atividades da sociedade. Isso ajuda no tratamento, faz parte da psicoterapia'', atesta Krane. As terapias envolvem desde o apoio psicológico até o uso de medicamentos como antiinflamatórios, analgésicos e, em alguns casos, até antidepressivos.
Normalmente, quando uma criança é encaminhada a uma clínica de dor, como conta Charlize, ela já passou por diversos profissionais, então é importante que a mãe, ao perceber que após a terceira consulta a criança não melhorou, pergunte ao médico se não há uma alternativa e questione sobre os grupos específicos.


