São Paulo - A partir de 1º de julho, os 1.700 enfermeiros e auxiliares de enfermagem das 28 especialidades médicas do maior complexo de saúde da América Latina, o Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo, passarão a acrescentar a dor como critério obrigatório de avaliação dos pacientes em recuperação cirúrgica - em 2005, foram 21 mil pós-operatórios. Assim, toda vez que verificar o pulso, a pressão, a freqüência respiratória e a temperatura, o profissional terá de avaliar como anda a dor do paciente. A dor passará a ser o quinto sinal vital.
  Não é só o bem-estar do paciente o foco de atenção do hospital. ‘‘A dor atrapalha a recuperação do paciente. Ela tem de ser tratada, tanto quanto a doença’’, diz Irimar de Paulo Posso, professor da disciplina de anestesiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e supervisor da equipe de Controle da Dor da Divisão de Anestesia do HC. Mais: segundo o anestesiologista, que está comandando de perto o treinamento das enfermeiras do HC nesta semana, a dor custa caro - ela é capaz de dobrar o tempo de internação do paciente.
  A medição terá como base uma tabela usada internacionalmente, que classifica a dor de 0 a 10. Quanto maior o número, mais intensa ela é. ‘‘A avaliação conta com a queixa do paciente e com os sintomas clínicos’’, exemplifica Waldemir Rezende, diretor-executivo do Instituto Central. ‘‘Nos casos mais graves, como em pacientes na UTI, ela será avaliada de duas em duas horas. Nos menos graves, de quatro e quatro horas.’’
  Nos Estados Unidos, só os hospitais que usam o critério como avaliação clínica recebem certificação de qualidade. No Brasil, o Albert Einstein, em São Paulo, faz o controle desde 1999. Em 2005, o hospital estendeu a forma de atendimento até aos pacientes que não são internados. Assim como no HC, o protocolo usado no Albert Einstein segue as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS).
  De acordo com a coordenadora da Comissão de Tratamento da Dor do hospital, Ana Cláudia Quintana Arantes, a prática por enquanto não é comum. ‘‘Muitos pacientes não se queixam e muitos médicos ainda acham que isso é certo’’, diz ela. ‘‘A dor não é normal e deve ser tratada assim que se manifesta.’’

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