Um dos aspectos importantes quando se trata de cefeléia em crianças, segundo o neuropediatra Efigênio Sílvio de Castro Júnior, é valorizar a dor. Isso significa acreditar sempre que a criança reclama. ''Hoje se trabalha bastante na questão de valorizar a queixa. As pessoas subestimam a questão da dor, como se fosse 'fita' da criança, um quadro emocional. Mas, a gente parte do princípio que a criança é verdadeira'', afirma.
Só o fato de dar atenção ao filho, acredita o médico, já ajuda a aliviar a dor e a melhorar sua qualidade de vida. ''Só a atenção que damos à criança já ajuda, já alivia. Ele fala 'poxa, meu pai se preocupou comigo''.
Isso não quer dizer que toda vez que a criança sente dor os pais devam medicar. ''Não é para ficar dando remédio toda vez que a criança tem dor e não procurar o médico. É preciso investigar'', avisa a pediatra Solange de Fátima Vidigal.
Os medicamentos podem ser usados, mas com orientação médica e sem abuso. ''Não se deve estimular a auto-medicação. A família deve atender a criança, tratar para dor, e levar no especialista, no pediatra de confiança da família para poder identificar'', completa o neuropediatra.
Ele alerta que dores frequentes tratadas com excesso de medicação podem levar a uma situação, chamada intolerância medicamentosa, em que o medicamento passa a não fazer mais efeito. ''Isso evolui para um quadro chamado cefaléia crônica diária, em que você faz a medicação, e o indivíduo já não responde'', alerta.
Quando a dor é recorrente, explica o médico, o caso pode ser de trabalhar para prevenir a dor, para evitar o excesso de medicação. ''Independente se é enxaqueca ou cefaléia tensional o tratamento vai depender do grau de incapacidade a que essa dor leva, a gente vai sempre focar na qualidade de vida e discutir se vale a pena medicar de modo sintomático, tratar de modo específico ou fazer a prevenção'', avalia.
O neuropediatra recomenda ainda que os pais fiquem atentos a alguns fatores relacionados a dor de cabeça (veja quadro), como a dor associada a náusea e vômito, ou aquela que faz a criança acordar ou ainda que faz a criança faltar na escola, por exemplo, com recorrência muito grande. ''Não é com uma frequência muito grande que ocorrem esses sinais, na maioria das vezes é uma dor isolada, mas eles devem ser investigados'', ressalta.(C.P.)

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