Dor de ouvido crônica afeta audição
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de março de 2009
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Londrina - Dor de ouvido é uma das doenças mais comuns em crianças e uma das causas que mais levam ao consultório do pediatra. Mas problemas no sistema imunológico podem deixar o problema crônico e trazer consequências até para a audição.
A otorrinolaringologista Ana Maria Ciola, de Londrina, explica que a dor de ouvido é frequente principalmente em crianças com até dois anos de idade. A chamada otite média, mais comum nos meses de outono e inverno, ocorre geralmente após quadro gripal, por conta da secreção do nariz que chega até o ouvido. ''Nas crianças, a tuba auditiva é mais curta e reta que nos adultos e isso facilita a drenagem de secreção do nariz para o ouvido médio'', explica. Já a otite externa, mais frequente no verão, é provocada por calor e umidade, geralmente pelo maior contato da criança com água de mar e piscina.
Os quadros de repetição, segundo ela, ocorrem quando o sistema imunológico é mais suscetível à infecções. Isso é resultado de crianças que não foram amamentadas ou tiveram o aleitamento interrompido, que têm pais fumantes e por isso são fumantes passivas, que tiveram um episódio grave de infecção quando ainda muito pequenas e até aquelas que frequentam creches e berçários e por conta disso ficam mais gripadas. ''A repetição faz com que sempre tenha líquido dentro do ouvido médio, e aí qualquer coisa acaba causando inflamação'', ressalta.
Quando a dor de ouvido é repetitiva - e isso se caracteriza por três a quatro episódios no ano -, a criança pode apresentar quadros agudos de febre, mas às vezes, a infecção é ''silenciosa'' e a criança não apresenta nenhum sintoma mais grave, como dor e febre. Os pais devem ficar atentos porque uma das consequências pode ser a diminuição da audição. Isso pode ser percebido naquela criança que está sempre pedindo para repetir algo, naquela que assiste TV com o som muito alto, ou mesmo naquela que acredita-se que é 'desatenta'. ''A perda ou diminuição de audição, nestes casos, é reversível, mas se isso não é percebido a tempo, a criança pode ter atraso no desenvolvimento da fala e na escola'', alerta a médica.
Uma das formas de tratar a dor de ouvido de repetição é cirúrgica, com a colocação de um tubo de ventilação que funciona como uma tuba auditiva e permite uma melhor drenagem da secreção. Depois de um período, o tubo sai sozinho, explica a médica, mas há casos em que é preciso retirá-lo. ''Primeiro são feitos tratamentos com antibióticos e analgésicos, mas é preciso acompanhar a evolução, para ver se há indicação cirúrgica'', avalia. Com o crescimento da criança e a modificação natural da tuba auditiva o problema normalmente melhora e ela para de apresentar otites com tanta frequência.
Outras complicações da dor de ouvido de repetição são meningite, abcesso cerebral e labirintite infecciosa. Sem um tratamento adequado, alerta a médica, a criança pode apresentar perfuração do tímpano ou retração, que no primeiro caso pede uma cirurgia mais delicada, e no segundo, não há tratamento. E, em ambos, há perda auditiva.


