Londrina - Dores que se estendem por dias, semanas, meses a fio... A dor crônica ganhou, nos últimos anos, entre a comunidade médica, status de doença, independente do que a provoca. Estimativas apontam que o mal atinge de 20% a 25% da população. A boa notícia é que cada vez mais a ciência investe em tecnologia para tratar quem sofre, e algumas boas opções já estão disponíveis no Brasil. O tratamento multidisciplinar, segundo o neurologista Rafael Higashi, de Londrina, está entre as melhores alternativas.
Quando se fala do assunto, explica o médico com mestrado em dor pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e treinamento em tratamento da dor pela New York University, é preciso diferenciá-la em dois tipos - crônica e aguda. A aguda tem origem de fácil detecção, um trauma por exemplo. Nestes casos, tratada a causa, a dor acaba. ''Mas, com a dor crônica é preciso um profissional especializado na área para tratá-la, pois é uma dor que deveria ter passado em alguns dias ou semanas com tratamento clínico, e, apesar disso, ela persiste'', aponta.
O grande entrave, ressalta o médico, é que quanto mais tempo o paciente fica sem tratar a dor, mais difícil fica de resolver o problema. Isso porque a dor crônica altera o sistema neurológico. Ele explica que, com a repetição, o estímulo doloroso faz com que o nervo que leva a informação ao cérebro fique menos forte. Mas, ao mesmo tempo, a área do córtex, onde a dor é 'recebida' no cérebro, fica maior. ''O sistema neurológico se altera e a área no córtex se amplifica. Aí começam também mudanças no comportamento e na personalidade do paciente, como depressão, ansiedade, fobia e pânico'', explica.
Com um problema psiquiátrico vem o ciclo vicioso - a pessoa passa a ter medo de sentir dor e passa a tomar cada vez mais medicamentos, que vão deixar a dor ainda mais persistente. ''Aí, a dor crônica vira, ela mesma, uma doença. E quanto mais tempo a pessoa deixa passar, mais fatores desse ciclo vicioso precisam ser mudados para que ela possa voltar a ser o que era antes'', alerta.
Ele cita o exemplo de dores na coluna - 80% da população têm, tiveram, ou terão. Mas, a maioria dos casos será de episódios passageiros. Em 10% a 20% é que será crônica. Outro exemplo é o da dor de cabeça, que tem no uso dos analgésicos a principal razão para o mal passar a ser crônico. O uso contínuo ou frequente de analgésicos, explica o neurologista, sensibiliza o sistema neurovascular de tal maneira que faz com que a dor volte com mais força. ''O medicamento alivia em um primeiro momento, mas a dor volta mais forte, pois a causa não está sendo tratada, só o sintoma'', avalia.
Os modelos de tratamento hoje para a dor, segundo ele, englobam uso de medicamento, nutrição, atividade física e psicologia. ''A dor de cabeça, por exemplo, é causada na maioria dos casos por alteração bioquímica, que pode ser corrigida. Mas alguns fatores deflagram a crise, como estresse, má postura, nutrição, e é aí que entra a equipe multidisciplinar para tratar todos esses fatores'', aponta.
Serviço: Mais informação pelos telefones (43) 3323-8744 ou 3356-1616

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